Zé do Mestre, uma marca sertaneja que ganhou o mundo


Tradição de artesanato em couro é perpetuada na família.
Beleza e riqueza de detalhes fez peças ganharem destaque até na Itália.
Do G1 Petrolina
Tradição de artesanato em couro é passada de pai para filho
Em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, o artesão Irineu do Mestre, de 47 anos, não nega o nome que carrega. Filho do vaqueiro e artesão José Luiz Barbosz, de 80 anos, mais conhecido como Zé do Mestre, assim como o pai, faz história na cidade e no estado pernambucano com a produção vestimentas em couro, típicas das usadas pelos vaqueiros do sertão.
Mas a história desse artesão vem de mais distante: do avô, Mestre Luiz. E mostra que a tradição do artesanato em couro está sendo perpetuada na família. As peças como o chapéu e o gibão de couro, se destacam pela beleza e riqueza de detalhes que trazem. O trabalho é minucioso. Precisa habilidade. Os adornos tornam cada peça ímpar, o que deu notoriedade a família de Zé do Mestre. Hoje o nome é a marca de artesanato e conquistou compradores famosos muitos cantores e políticos.
Peças usadas por vaqueiros é a especialidade da família
Mestre Luiz, avô de Irineu, aprendeu o artesanato em couro porque era sapateiro e produzia os calçados para viver. O ofício foi passado para o filho Zé do Mestre e para o neto Irineu do Mestre. Zé do Mestre tinha como um dos clientes ilustres, o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Confeccionou também gibão (roupa de couro utilizada pelos vaqueiros) para o rei da Espanha, Juan Carlos, para o ex-presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, e para o Papa João Paulo II.
Zé do Mestre está aposentado e reside na Zona Rural de Salgueiro, na Fazenda Cacimbinha, onde também funciona o ateliê, que ainda será inaugurado oficialmente e agora é comandado pelo filho, Irineu do Mestre. Meu pai parou de produzir tem dois anos. Ele e minha mãe trabalharam quase 70 anos no artesanato, relata Irineu.
Irineu do Mestre, junto com a esposa, Maria Lucimar, e os três filhos trabalham com o artesanato em couro. Quero fazer o máximo para que essa tradição não pare em mim, que se perpetue com meus filhos, ressalta.
Ex-presidente Lula usa chapéu produzido por Irineu do Mestre
Assim como o pai, Irineu conquistou clientes famosos. Já fiz várias peças para Dominguinhos, Fagner, Gilberto Gil, Zé Ramalho, Alcimar Monteiro, Targino Gondim e outros cantores. Fiz peças em couro para Lula e também um chapéu para a presidente Dilma com o símbolo do Carcará, conta orgulhoso, deixando escapar que o artesanato sertanejo ganhou o mundo. Recentemente 250 peças em couro produzidas pelo artista foram enviadas para Milão, na Itália.
Além de artesão, Irineu do Mestre também é poeta e faz questão de deixar registrado um de seus poemas. Nasci- me na Cacimbinha, neste belo torrão. Sou filho de Zé do Mestre e também sou artesão. Tornei-me um artista nato, hoje vivo do artesanato, por ofício e vocação.