Unisol faz dez anos de economia solidária


Central quer avanço na legislação do setor e se une a outras duas entidades para ampliar trabalhos
por Michelly Cyrillo, do ABCD
Unidade de reciclagem de PETs, entre os empreendimentos solidários formados pelo cooperativismo da Unisol
São Paulo - A central de cooperativas e empreendimentos solidários (Unisol) Brasil completa dez anos em 2014. Os avanços conquistados pelos grupos filiados à rede foram importantes, porém o principal desafio da entidade ainda é avançar nas leis que viabilizam o crescimento e fomento do setor.
A Unisol surgiu de uma iniciativa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, após a crise financeira que diversas fábricas da Região sofreram na década de 1990. Após a falência das empresas, muitos trabalhadores formaram cooperativas para evitar o fechamento da unidade produtora e o consequente desemprego. A metalúrgica Conforja, em Diadema, hoje Uniforja, foi a primeira filiada da entidade e é considerada um caso de sucesso entre as cooperativas. A empresa faliu e, em 1997, metade dos funcionários se uniu e mostramos que a auto-gestão de uma indústria é possível, afirmou o presidente da Uniforja, João Luis Trofino.
A Uniforja, que conta com 425 trabalhadores entre cooperados e funcionários, fabrica diversos itens de aço forjado. Entre os principais clientes estão multinacionais do setor automotivo como a ZF, além da Petrobras. Em 2013, o faturamento foi de R$ 165 milhões. Desde o início da formação, investimos em novos produtos e certificações para auxiliar no crescimento do negócio, afirmou Trofino.
Atualmente a Unisol apoia 750 empreendimentos em 27 estados, em 11 setores diferentes. Aproximadamente 70 mil trabalhadores participam da rede solidária, sendo 60% de homens e 40% de mulheres.
A Unisol acompanhou o crescimento do cooperativismo e da economia solidária no país, sendo um dos atores principais na luta por leis e avanços que fortalecem os grupos. Ampliamos a área de atuação e os estados representados, porém ainda temos muito para alcançar, ponderou o presidente da Unisol Brasil, Arildo Motta.
União
No Brasil, são quatro as principais centrais de empreendimentos solidários. Para fortalecer a luta por avanços, a Unisol e outras duas organizações cooperativistas (Unicafes e Concrab) se reuniram neste ano para formar a Unicopas (União Nacional das Organizações Cooperativas Solidárias). Juntas, as três centrais representam 2.250 empreendimentos. Nos unimos para ter mais força na hora de reivindicar e propor ações. Acreditamos que desta maneira vamos conseguir adotar algumas ações mais rapidamente, afirmou Motta.
De acordo com o presidente da Unisol Brasil, a economia solidária responde por 1% do PIB (Produto Interno Bruto) e as cooperativas, por 8%. Apesar de o Brasil já ter avançado e muitos empreendimentos conseguirem se manter e crescer, ainda representamos muito pouco entre toda a riqueza produzida no país. Para ampliar este quadro é necessário criar linha de financiamento específica para os grupos e modernizar a lei de cooperativismo criada na década de 1970.
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