Tradição piauiense, artesanato de Pedro II corre o risco de acabar

Tradição piauiense, artesanato de Pedro II corre o risco de acabar
Entre redes, tapetes e colchas, são produzidas mais de 700 peças por mês.
Novas gerações não tem interesse em aprender a arte das tecelãs.
Do G1 PI
Situada na serra dos matões, a cidade de Pedro II é conhecida pelas suas belas paisagens, pelo clima agradável e pela extração da Opala. Mas a cidade que fica a 195 km ao Norte de Teresina, já tinha outra fama, a da produção de redes no Piauí. Entre redes, tapetes, mantas e colchas, são produzidas mais de 700 peças por mês.
Alguns trabalhos feitos na cidade já ganharam prêmios e reconhecimento nacional e internacional. Só que a atividade que primeiro projetou o nome da cidade de Pedro II, antes mesmo do ecoturismo e do minério de Opala corre um sério risco de desaparecer, tudo por conta da falta de interesse das novas gerações em aprender o ofício.
Antônio Sousa é tecelã há mais de 60 anos, mas já sabe que na família a tradição vai parar junto com ela. Das minhas irmãs mesmo não tem nenhuma que queria trabalhar no ramo. Tenho quatro filhas e também não quiseram aprender a profissão, contou.
A esperança poderia estar em artesã como Adelina Santos, de 36 anos, mas ela mesma diz que tem outros planos para a filha de 13. Prefiro que ela se empenhe mesmo nos estudos e futuramente poder ter um emprego melhor que o meu, argumentou.
Para Diana Marques, presidente da Associação das Artesãs de Pedro II, as novas gerações não tem interesse em aprender a arte das tecelãs. Os filhos procuram outra profissão, viajam, mas aprender a arte dos artesãos eles não querem. No nosso artesanato só temos a população de idade mais avançada. A atividade de Artesão está correndo um sério risco de desaparecer na cidade, afirmou Diana.