Teresinense une papelão e talento para criar até miniaturas do Titanic


Raimundo Andrade, 48 anos, começou suas crianções ainda na infância.
Algumas peças levam até dois meses para ficarem prontas.
Patrícia AndradeDo G1 PI
Raimundo Andrade exibe o Titanic que levou dois meses para ficar pronto
Papelão, cola branca, tinta e muita criatividade. Essas são as ferramentas de trabalho do teresinense Raimundo Andrade, 48 anos, um artesão por afinidade e responsável por criar qualquer objeto a partir do papelão. Dos detalhes mais minuciosos do famoso Titanic a um simples carro de Fórmula 1, ele consegue impressionar tanto por sua arte quanto pela história de vida. Autodidata, tudo que aprendeu partiu incialmente da necessidade de ter ainda na infância um brinquedo, já que a família não tinha condições financeiras.
Meu pai deixou a minha mãe quando eu ainda era muito pequeno. Ela não podia comprar aquilo que eu queria e lembro que meu primeiro presente foi uma rural verde que acabei ganhando do meu pai quando tinha quatro anos. Ainda pequeno comecei a fazer meus carros de lata e papelão para poder brincar, relembra Raimundo.
Fotografia mostra barco e prédio também feitos a partir do papelão
Casado e pai de dois filhos já adultos, o artesão conta que foi na adolescência que passou a confeccionar as peças com um acabamento melhor e a se aventurar em modelos mais ousados. Desde então, tudo que passa pela mente criativa de Raimundo Andrade vai logo parar nos moldes e depois pegar forma com o papelão.
Miniaturas de helicópteros, navios, prédios, parques de diversões, ônibus, fachadas de igrejas entre outras coisas já foram confeccionadas por Raimundo. Maior parte das peças é fruto de encomendas e algumas delas já saíram da capital direto para cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Fortaleza e São Luís. Algumas já foram alugadas por alunos de faculdades.
Avião feito por Raimundo Andrade tem riqueza de detalhes
De vida simples e poucas posses, seu Raimundo sobrevive do que consegue apurar na venda da banca de revistas que toma conta na Praça Pedro II, Centro de Teresina. Ele relata que há meses em que o apurado não chega a R$ 300. Entre uma folga e outra, é na banca de revistas que o artesão consegue tempo para colocar suas ideias nos moldes e levantar no papelão suas peças.
Uma miniatura do Titanic, por exemplo, leva em média dois meses para ficar pronta. Com aproximadamente 1,50m de altura o transatlântico de papelão guarda detalhes e enche de orgulho o artesão. No entanto, o brilho nos olhos de Seu Raimundo ao falar sobre seu trabalho logo esvaece quando ele avalia a atenção dada para o que produz. Trabalhando de frente para a Central de Artesanato Mestre Dezinho, ele nunca foi convidado a expor suas peças. Na mesma praça já foi realizado por vários anos o Salão do Livro do Piauí e as peças do teresinense continuaram no anonimato.
Hit do Camaro Amarelo também embalou a criatividade do artesão
O teresinense não gosta de cultura, não sabe apreciar arte. Já tentei fazer minha carteira de artesão, mas é tanta burocracia que desisti. Já pensei em largar o meu trabalho para me dedicar mais a essa arte com papelão e quem sabe até ir embora daqui, relata.
Apesar de o papelão ser fácil de encontrar, Seu Raimundo às vezes esbarra na falta de dinheiro para comprar as tintas que dão cor e também o acabamento nas peças. Não faço muita coisa para guardar. Gosto do meu trabalho, mas só dá para pegar por encomenda porque não tenho como investir muito nas peças, lamentou.
Cada peça produzida custa em média de R$ 20 a R$ 150.