Sem tatu-bola, Largo Glênio Peres volta a receber Feira Estadual da Economia Solidária

por Rachel Duarte
Feira Estadual de Economia Popular e Solidária 2013 acontece até o próximo sábado (7), em Porto Alegre./ Foto: Rachel Duarte
Outrora ameaçada de perder o espaço que mais rendeu visibilidade ao evento, a Feira Estadual de Economia Popular e Solidária está acontecendo até o dia 07 de dezembro no Largo Glênio Peres. Em vigor desde fevereiro de 2012, a lei municipal que restringe o uso do largo proibia a realização da feira promovida por 9 mil trabalhadores do Rio Grande do Sul. Porém, desde segunda-feira (03), os estandes de alimentação, confecção, agricultura familiar e artesanato convidam os transeuntes que circulam em grande número pelo Centro de Porto Alegre nesta época do ano.
A concorrência com os comerciantes do Mercado Público, administrado pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), foi compreendido pelo então secretário Valter Nagelstein (PMDB) como motivo que contribuiu para a criação da legislação que restringe o uso do Largo. A Smic tem poder de polícia nas questões que tratam do código de posturas da cidade, disse ele em fevereiro de 2013 quando o executivo municipal sancionou a lei.
Apesar da existência de uma proposta de revogação desta lei arbitrária, que impede inclusive as manifestações artísticas no local, a feira da economia solidária só voltou a ser realizada no Glênio Peres por decisão da Comissão Organizadora. Diz o folder de divulgação do evento: A Comissão Organizadora foi levada a analisar e buscar a viabilização de todas as alternativas de ampliação do espaço da feira.
Participam da Feira Estadual 227 empreendimentos urbanos e rurais, oriundos de 37 municípios gaúchos. São três mil trabalhadores diretamente envolvidos e a estimativa é de que circulem pela feira cerca de 600 mil visitantes nos sete dias de evento. As entidades envolvidas na promoção da feira avaliam que o Glênio Peres mudou o perfil das Feiras Estaduais de Economia Popular e Solidária. Os serviços e custos aumentaram para realizar a feira, mas também aumentou a inserção da feira no conjunto da cidade, multiplicando o potencial de venda e o faturamento dos expositores, diz o documento oficial da feira.
A 1ª Feira Estadual de Economia Popular e Solidária aconteceu em 1999, a partir da iniciativa da Cáritas Brasileira Regional RS e da Smic, com apoio da Comissão Pastoral da Terra e Pastoral Operária Estadual. Todas as instituições envolvidas vinha há anos incentivando e apoiando experiências alternativas de geração de trabalho e renda. As primeiras edições foram realizadas na Usina do Gasômetro. A mudança para o Largo Glênio Peres ocorreu em 2005.
A semana está sendo uma oportunidade de negócios aos expositores, um bom momento para compras natalinas aos porto alegrenses apreciadores de produtos alternativos e orgânicos e um momento de ver outra vez o nobre espaço público do Centro Histórico sendo utilizado para o bem da cidadania. Ao invés de carros estacionados e um chafariz sem sentido desperdiçando água no concreto, percebe-se plantas ornamentais, artesanato das cooperativas, bolachinhas e quitutes 100% naturais e sucos, salames e outras delícias do interior do estado. Meus pêsames ao saudoso tatu-bola da Copa do Mundo, mas ver o Largo Glênio Peres de volta é muito mais bonito.
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