Projeto valoriza prática artesanal da produção de farinha no Pará


Cotidiano de mulheres na produção de farinha é tema do Senhora Raiz.
Material deve ser convertido em livro, exposição fotográfica e documentário.
Do G1 PA
Senhora Raiz revela cotidiano de mulheres envolvidas na produção de farinha de mandioca na região do Camutá, no município de Bragança, no nordeste do Pará. (Foto: Walda Marques)
Alimento indispensável na mesa dos paraenses, a farinha de mandioca e sua produção artesanal são o foco do projeto Senhora Raiz, idealizado pela fotógrafa Walda Marques e realizado pela Fundação Rômulo Maiorana. O projeto mostra a vida das mulheres que fazem da cozinha um lugar de agregação familiar na região do Camutá, no município de Bragança, no nordeste do Pará.
O cotidiano e o papel dessas mulheres no cenário rural são revelados pelas lentes da fotógrafa, que pretende mostrar a cozinha amazônica que agrega a família, os filhos, da papinha da criança ao caribé dos mais velhos, que vêm da mandioca. Por isso, segundo Walda, a proposta é registrar o fazer artesanal da atividade, que vai do plantio ao cultivo, beneficiamento e preparo culinário da farinha paraense.
Por sua ação agregadora, a mulher é personagem principal nesse processo. Ela conduz com maestria, debulha, carrega o cesto, descasca, tritura, seca e transporta em canoas, diz Walda ao ressaltar que, todo esse processo é foco do registro e está presente em cada etapa da cadeia produtiva da mandioca até chegar às mesas de todas as classes sociais, sem distinção.
Pesquisa
O projeto demandou nove meses de empenho e muito trabalho da equipe que envolveu ainda o chef de cozinha paraense Thiago Castanho, cuja família tem raízes em terras bragantinas. Castanho possui um trabalho de pesquisa com a farinha de mandioca da região e, dentro de seu restaurante, em Belém, mantém um laboratório de pesquisa.
Foram várias visitas à comunidade, vivenciando a rotina na roça e registrando, por meio de gravações e fotografias, o cotidiano das mulheres protagonistas do projeto: Sebastiana de Brito Matos, Guilhermina da Silva Corrêa, Carmen Lucia Alves, Denísia Corrêa Martins de Souza, Lucimar Reis de Lima e Clarisse Corrêa da Silva. Todas mulheres que vivem da agricultura e aceitaram contar suas histórias em prol da pesquisa.
A primeira etapa da pesquisa já está avançada. De acordo com os organizadores, a ideia agora é apresentar relatório e as imagens serão reunidas em mostras fotográficas e apresentadas nas comunidades que foram palco da pesquisa e das ações do projeto. Em breve, tudo será reunido em livro, uma exposição fotográfica e um vídeo documentário.
Lançamento
No contato direto com as mulheres da localidade, o chef criou um laço estreito com a prática local no preparo do alimento, o que pode ser observado na troca de informações com as mulheres, na experiência delas, na história de vida de cada uma, o que, para Castanho, é um grande aprendizado.
E no evento de lançamento do material os convidados de honra serão as pessoas da comunidade, para quem o chef vai preparar pratos à base dos derivados da mandioca, em parceria com as mulheres da região Camutá. Os pratos são: mingau de tapioca com maçã, tucupi com caranguejo, bolo de fubá com coco e cuscuz de farinha dágua com camarão seco.