Projeto busca alavancar produção de cachaça artesanal nas Vertentes


Professor da UFSJ tem projeto para criar associação de produtores.
Na região, apenas 80 têm o selo de qualidade.
Do G1 Zona da Mata
Cachaça é uma tradição de Minas Gerais
Um projeto busca conseguir certificação para a cachaça artesanal produzida no Campo das Vertentes para que o produto possa ser comercializado livremente. O projeto é uma iniciativa da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) e está sendo realizado com o município de Coronel Xavier Chaves, onde há cerca de 28 produtores, segundo estimativa do professor do Departamento de Economia, Ívis Bento de Lima. Na região há cerca de 300 produtores, mas apenas 80 têm o selo de qualidade.
O alambique do produtor Hélio Silva é reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Há cinco anos ele teve a ideia de produzir uma bebida de qualidade para degustação e investiu no processo de produção artesanal e sustentável. São 10 mil litros de cachaça por safra. O produtor ainda não conseguiu o lucro esperado, mas acredita no potencial da bebida. Nosso foco é produzir uma cachaça de qualidade, sem compromisso com quantidade, para ser apreciada, afirmou.
saiba mais
No entanto, muitos dos alambiques da região ainda não estão legalizados. O professor Ívis Bento de Lima tenta mudar esse cenário há seis anos buscando formalizar os alambiques. O objetivo é alavancar a produção de cachaça artesanal, uma tradicão na região. Aproximadamente, o litro de cachaça vendido pelos clandestinos é R$ 4, R$ 5. A partir do momento que ele agrega valor ao produto, o sistema de produção melhora e o produtor pode colocar o preço de R$ 10, R$ 15, dependendo do modo como ele trabalha, explicou.
O alambique do produtor Rubens Resende Chaves é do início do século 18 e produz mais de 30 mil litros de cachaça por ano. Ele faz parte da sétima geração da família envolvida no negócio. Sigo uma receita da família de quase 300 anos. A nona geração já está chegando também, comentou.
Já o produtor Antônio Leandro de Campos sofre as consequências da concorrência com os clandestinos. O produtor conta que os preços perderam competitividade. Ele reduziu a área plantada, mas espera confiante para ver um dos produtos mais tradicionais de Minas Gerais ganhar valor e mercado.