Professor e artesão usa a criatividade para fabricar jogos e desafios


Diário do SudoesteMarcelo Coan
Na contramão da evolução tecnológica, o professor, colecionador e artesão do bairro Vila Isabel, Clediomar Miranda, usa MDF, madeira, acrílico e metal para fazer jogos de desafios. Embora tenha uma empresa registrada, os jogos - todos feitos na residência dele e em horas de folga - são encarados como um hobby e uma paixão.
Miranda, que teve como grande incentivador o pai, conta que quando tinha entre seis e sete anos ganhou o primeiro desafio que era feito com arame comum. Além disso, ele lembra que existiram jogos de dominó, dama e trilha, sempre construídos no interior com papelão e materiais alternativos.
Com o passar, como era curioso e gostava de fazer artesanato, Miranda começou a fazer alguns jogos. Com isso, alguns colegas passaram a pedir os jogos. Aí surgiu a ideia de transformar este hobby num negócio. Fui armazenando jogos ao longo de 30 a 40 anos e agora nos últimos três anos tenho me dedicado a fazer também para vender, lembrou ele.
Hoje, de acordo com o artesão, para a venda são cerca de 60 tipos diferentes de jogos. Uns 20 estão sendo preparados. Além disso, ele possuiu uma coleção particular com mais de 400 modelos diferentes.
Como Miranda atua como professor, ele falou que no dia a dia os jogos são utilizados nas aulas. Normalmente a gente utiliza em alguns períodos do ano e em períodos alternativos, já que existem algumas aulas onde as atividades são com jogos. A gente aproveita os jogos para passar algo diferente, contou ele.
Tendo em vista que existem jogos que possuem mais de cinco mil anos - como é o caso do Senet que foi encontrado na tumba de tutankhamon - e são de domínio público, o professor conta que pesquisa e busca jogos diferentes em outras regiões do país e do mundo. Alguns, conforme o artesão, passam por adaptações antes de serem produzidos.
Embora grande parte sejam jogos trazidos de outras regiões ou países, Miranda disse que existe um - chamado por ele de boneco - que de sua autoria. O criador conta que se trata de um desafio às avessas. Ainda que seja fácil desmanchar, ou desmontar, o desafio é remontá-lo com uma espécie de nó no cordão e que precisa ficar no formato original. Não é o desafio de desmontá-lo, mas sim montar novamente, explicou ele.
Em meia a tantos e diferentes jogos, Miranda contou que como desafio existe o cadeado cigano, ou cadeado chinês, que atrai muitas pessoas. Já como jogo, o artesão lembrou do Bagha-chall. Trata-se de uma luta de quatro tigres contra 24 cabras. O objetivo é mostrar que as cabras precisam permanecer juntas para que os tigres não as peguem. As cabras vencem se trancarem os tigres. O jogo, aparentemente é simples, mas proporciona experiências de pensamento e projeções de jogadas muito boas.
Todos os jogos ou desafios produzidos por Miranda são acompanhados de um manual que ensina como o jogo funciona ou qual é o resultado do desafio. Da coleção particular - que possui cerca de 400 jogos - ele disse que apenas uns quatro ou cindo ele ainda não conseguiu resolver, contudo, adiantou que não irá consultar o manual. A intenção é entender o desafio e descobrir por conta própria como funciona.
Resultados
Embora os jogos diferentes tenham entrado na vida através do pai, Miranda disse que hoje os jogos são muito utilizados para avaliar pessoas. Tenho vários psicólogos que são clientes e que utilizam em palestras e nas avaliações em consultórios. Além disso, o artesão lembrou que os jogos e os desafios estão sendo usado mundialmente em tratamentos e prevenção de Alzheimer.
Material usado
Na medida do possível os jogos são confeccionados com material de aproveitamento. Contudo, conforme o artesão, em algumas ocasiões este aproveitamento se torna mais caro. Entre os materiais utilizados estão MDF, retalhos de couro, acrílico, madeira, cordões e metal.
http://www.diariodosudoeste.com.br