Produtos chineses estragam o Natal da Feira de Artes

Feirantes reclamam da concorrência desleal de preços da China na Feira de Artesanato em BH
Feira de Artesanato recebeu público abaixo do esperado
Aprendizado. Paola Braga fugiu de brinquedos que alienam
HELENICE LAGUARDIA
Na Feira de Artes e Artesanato de Belo Horizonte, não foi a chuva - que caiu com força bem no fim da manhã - nem o endividamento maior do consumidor neste ano que fizeram as vendas diminuir para os feirantes no último domingo antes do Natal. Foram os produtos da China que aparecem disfarçadamente em vários artigos vendidos naquela que já foi conhecida como feira hippie que minguaram as vendas de muitos artesãos.
Com facilidade para andar nos corredores da feira, na avenida Afonso Pena, deu para chegar ao artesão Hyberlon Mota Cardoso. Não está muito bom por causa da China que entrou detonando, criticou. Com a exposição de anéis e brincos a R$ 10, Cardoso disse que chega a trazer 900 peças feitas por ele. Hoje devo vender cem peças, mas num dia melhor, como era antes da China, vendia 300 peças.
Renato Couto, há 35 anos na feira, disse que é um sobrevivente diante dos preços baixos da China. Com base em outros Natais. está bem mais fraco, afirmou Couto. Ele tem pulseiras de R$ 1 até colares de couro, madeira e capim dourado de R$ 30 cada.
Para o feirante Marcelo do Carmo, a feira que antecede o Natal é mais devagar mesmo. Os dois domingos antes do Natal é que são bons para vender, disse. Por isso, já no meio da manhã de ontem, ele fez liquidação das bolsas de R$ 35 por R$ 30 e de R$ 18 por R$ 15. Eu trouxe 200 peças e vendi 40% até agora.
Com a Criações Formiguinha, Maria Tereza Vilela estava livre da concorrência da China com os vestidos de criança - de R$ 35 a R$ 50 - feitos a mão. Eu trouxe 300 vestidos e já vendi 200. Foi muito bom, comemorou.
A estudante Kelly Cristina Crescêncio,24 estava na dúvida entre tantos vestidos. Aqui é bom, tem como negociar com o fabricante o preço, disse o noivo dela, Samuel Pereira, 27. O casal comprou nove presentes na feira e gastou R$ 300.
Feira tem brinquedo educativo
Numa barraca bem concorrida, a professora Paola Braga, 20, pesquisava brinquedos diferentes - um de R$ 15 e outro de R$ 20. Vou viajar para o Paraná e quero dar de presente brinquedos educativos para meus sobrinhos, explicou.
Paola levou R$ 50 para gastar com os presentes. É isso que vou gastar no Natal. Para a professora, não adianta comprar boneca ou carrinhos caros. A criança não aprende nada e se aliena. Ela também achou a feira vazia.
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