Pequeno produtor e um belo pratão


Cidades da região de Sorocaba seguem a lei e 30% da merenda servida nas escolas saem da roça
FERNANDA IKEDO
Divulgação / PrefeituraMerendeira de Sorocaba, durante recente visita de uruguaios
A utilização de gêneros da agricultura familiar na alimentação escolar é garantida pela Lei Federal nº 11.947, que exige 30% da merenda escolar proveniente de agricultura familiar.
São diversos tipos de alimentos que chegam aos pratos dos estudantes, como verduras, legumes, feijão e frutas. Neste ano, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Educação acrescentará os seguintes itens na merenda escolar: melancia, mel e leite fluído UHT. Todos provenientes de cooperativas da região.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Educação são 140 escolas - apenas as de ensino fundamental e pré-escolas - que recebem produtos da agricultura familiar.
Em Votorantim, 30% de todas as refeições servidas na rede municipal são de agricultura familiar (como diz a lei) - representam 13 escolas das 48 unidades de ensino.
Desde novembro, as escolas recebem os alimentos todas as terças-feiras, provenientes de Ibiúna, como alface, batata, cenoura, cebola, cheiro verde, vagem, mandioquinha, laranja, limão, maracujá, mamão, entre outros.
Já Araçoiaba da Serra aplica a lei desde 2011 e neste ano será ampliado o montante a ser adquirido, incluindo o feijão na lista de compra.
Todas as escolas, creches e pré-escolas, que juntas somam 26 unidades escolares recebem os produtos, informa a a prefeitura. Eles são produzidos por pequenos produtores e que são participantes da cooperativa de agricultores locais, denominada de Copad (Cooperativa de Produtores de Alimentos Diferenciados). Os diretores da Copad nos indicaram que pelo menos 50% dos agricultores são de Araçoiaba da Serra. A outra metade de cooperados á composta por agricultores de municípios vizinhos.
MAIS
Em Sorocaba
Desde 2010, o município solicita a utilização de gêneros da agricultura familiar na alimentação escolar. A compra é feita via licitação, com vigência por 15 meses
140 mil
Alunos são atendidos pela alimentação de agricultura familiar, em Sorocaba. Com 200 mil refeições por dia.
Nova era
A escolas são atendidas pelo PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), que nada mais é que o atendimento à lei citada. Para o vereador Carlos Leite (PT), presidente da Comissão Permanente de Agricultura e Abastecimento, essa compra institucional, pode representar uma nova era para os agricultores da região.
Nem toda compra que vem do sítio chega sem agrotóxico
Conforme a engenheira de alimentos Belinda Santana, a compra de alimentos originários de agricultura familiar não significa que se esteja adquirindo produtos orgânicos, ou seja, que não tenham sido cultivados com agrotóxico. Nem todos os produtores, mesmo pequenos, optam pela produção de orgânicos, diz.
Em Araçoiaba da Serra, os agricultores familiares com produção orgânica ou agroecológica, passam por processo de certificação da qualidade orgânica, ou seja, ainda não possuem a certificação.
Contudo, cremos que este ano possamos comprar alguns produtos orgânicos. Vai depender da disponibilização desses produtos, pelos agricultores.
Opinião
Fábio Pescarini, editor da Rede BOM DIA
Viver no campo e para a cidade
Acertam as cidades de uma região tomada pela industrialização e por emprestas tecnológicas em investir em sistemas que mantenham pequenos agricultores em seus sítios e não acabem cedendo à força do progresso. Investir em agricultura familiar contribui para a qualidade do que as crianças comem nas escolas, com a economia no campo e evita o crescimento desenfreado das cidades com gente que não queria largar a roça.
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