Peças artesanais movimentaram R$ 1 milhão em negócios no Projeto Comprador 2013

Valéria Santana
A artesã Maria da Glória tem 70 anos, é de Rodrigues Alves e mostra com orgulho o fruto do trabalho que faz sozinha (Foto: Valéria Santana/Setul)
Apenas um dia foi necessário para o Projeto Comprador alcançar o faturamento de R$ 1 milhão, tempo suficiente para que o artesanato e trabalhos manuais produzidos no Acre conquistassem lojistas do Nordeste e Sudeste do Brasil.
A realização da atividade foi fruto da parceria do governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Turismo e Lazer (Setul), Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN) e Fundação Elias Mansour (FEM), com o Sebrae/Acre.
Entre os produtos expostos estavam os fabricados em látex (botas, sandálias, bolsas, peças decorativas para cozinha), madeira (instrumentos musicais, vasos e miniaturas de móveis), pulseiras e cortinas em tecelagem indígena e peças decorativas em vidro. A finalidade do projeto é incentivar as produções já qualificadas quanto ao design e modo de produção para o comércio em atacado com outros locais do país.
Exemplo disso é o trabalho de Getúlio Gonçalves, de Mâncio Lima, que reaproveita madeira de árvores já caídas na floresta para fazer os vasos e fruteiras. As peças que eu faço não teriam a mesma qualidade se eu fizesse com madeira verde [de derrubadas], só dá para fazer com madeira seca, já caída. Os detalhes que cada peça tem são os que a natureza deu, explica.
Peças produzidas com aproveitamento de madeira caída na floresta (Foto: Valéria Santana/Setul)
Já Maria da Glória do Nascimento trouxe, da área rural do município de Rodrigues Alves, peças feitas manualmente em fibra de cipó e tucum: cestarias (caçuás e fruteiras) e vassouras, resultado de trabalho duro. A própria artesã aos 70 anos ainda vai à mata coletar a matéria prima, dela extrai fibra, confecciona os objetos e realiza as vendas. Esforço que leva, em média, dois dias entre a extração e o fim da produção.
Na maioria das vezes faço tudo sozinha. De vez em quando, algumas pessoas se juntam para buscar os cipós e o tucum pra mim. É um trabalho que, graças a Deus, tem boas vendas. Dá um complemento na minha renda, porque além de fazer essas coisas eu também tenho roçado. Mas só quando tenho bastante matéria prima é que dá lucro, conta a artesã.
Ao longo do dia os artesãos mostraram seus produtos, divulgaram e puderam garantir encomendas, prolongando o contato com os compradores. Artigos que têm como público consumidor os turistas que vão aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas.
Christine de Mendonça, lojista de São Paulo, diz que o artesanato acreano tem identidade própria (Foto: Valéria Santana/Setul)
Maria do Carmo Cavalcante é lojista em Maceió (AL) e atende públicos distintos, mas que buscam objetos com características particulares. Vim ao Acre buscando peças que você tem certeza que não há iguais e logo se identifica, são do Acre, disse.
De acordo com Ademar Maciel, gestor do Sebrae/Acre, a 5ª edição do projeto no estado teve um saldo muito positivo, foi um milhão de reais em negócios (compras e encomendas) realizados entre 11 lojistas que vieram e os artesãos de 14 municípios. O Projeto Comprador é sempre mais que uma experiência de compra e venda, é uma oportunidade de o artesão sentir a receptividade do mercado em relação ao que ele produz, afirma.
Carteira do Artesão e Trabalhador Manual
As negociações contaram com ferramentas simples que agilizaram o processo, como a máquina de cartão de crédito, por exemplo. Algo possível pelo registro dessas pessoas, que já possuem a Carteira Nacional do Artesão e Trabalhador Manual, do Ministério do Comércio Exterior, entregue pela equipe de Gestão do Artesanato da Setul.
Simultânea à realização do Projeto Comprador, a Setul também fez entrega das carteiras na Tentamen, local onde ocorreu o evento.
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