Paraíba tem 6,3 mil artesãos identificados e cadastrados


Desafio é aliar a afirmação da identidade e resgatar atividades tradicionais.
Artesãos estão em 135 municípios mapeados.
Wagner LimaDo G1 PB
Artesãos da Paraíba têm o desafio de aliar a identidade paraibana e resgatar atividades tradicionais
A Paraíba tem 6,3 mil artesãos que tiveram suas atividades identificadas e os dados cadastrados junto ao Programa de Artesanato da Paraíba. O desafio é aliar a afirmação da identidade paraibana e resgatar atividades tradicionais que foram deixadas de lado devido à praticidade da vida moderna, segundo a gestora do programa Ladjane Barbosa afirmou.
O número de mil artesãos correspondem aos dados do mapeamento de 135 dos 223 municípios paraibanos. Ladjane Barbosa ressaltou que para ter uma visão ampla da atividade artesanal na Paraíba seria necessário realizar um mapeamento e uma curadoria de artesanato.
A gestora citou atividades em comunidades quilombolas e indígenas como dois importantes exemplos em que existem atividades tradicionais sendo substituídas por outras mais práticas que garantem o sustento de forma mais rápida. O importante é identificar essas manifestações e garantir o resgate dessa tradição aliado a técnicas de melhor acabamento para atender às exigências do mercado, disse.
Foi com base nessa aspecto de tradição que 14 mulheres criaram há 10 anos a Associação das Artesãs Farol de Cabedelo. A matéria-prima para rosas e copos de leite são as escamas de peixes típicos do litoral da cidade portuária: tainha, cioba, sardinha e o budião. As escamas mais caras vêm do camurupim por ser encontrado sazonalmente no litoral paraibano, segundo conta a presidente da associação, Teresa Júlio. O custo do quilo de escamas varia de R$ 10 até R$ 25.
As peças feitas com escamas de peixes estarão expostas na Craft+Design pela quarta vez e a expectativa, segundo Teresa Júlio, é ampliar a clientela. Na última feira, elas garantiram trabalho durante o ano inteiro com encomendas de lojistas e profissionais da ambientação dos estados de São Paulo, Bahia, Fortaleza e do Distrito Federal.
Artesanto está investindo em qualidade na apresentação e no acabamento
Convênio garante investimento de R$ 300 mil
Em abril, o governo da Paraíba e o Sebrae renovam um convênio orçado em R$ 300 mil com vigência para os 18 meses seguintes. O objetivo é garantir o fomento ao artesanato da Paraíba, desde o acompanhamento até a logística em participação em feiras nacionais e as mostras locais que garantem comercialização junto a turistas e moradores.
Para ter condições de disputar o mercado, a analista do Sebrae, Maísa Duarte, que faz acompanhamento dos projetos de artesanato, reforça que é preciso ter qualidade tanto na apresentação quanto no acabamento dos produtos artesanais apresentados fora da Paraíba. Quando apresentamos lá fora um produto no mesmo nível de acabamento, apresentação e tendo o diferencial de identidade local, há a possibilidade de abertura de mercado e o impacto positivo em toda cadeia produtiva a partir do aumento das encomendas de peças artesanais, enfatizou.
A participação em feiras garante, segundo a gestora do Programa de Artesanato da Paraíba (PAP), Ladjane Barbosa, uma produção de peças durante todo o ano para os artesãos, desde que os critérios de mercado sejam observados.