Pará: Internas da Susipe que integram cooperativa vendem artesanatos na Praça da República


Internas da Cooperativa de Arte Feminina Empreendedora (Coopafe) comercializaram artesanatos pela primeira vez neste domingo (9) na Praça da República, em Belém. A cooperativa, lançada na semana passada, é uma iniciativa da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) e a primeira do Brasil a ser formada exclusivamente por mulheres presas.
O primeiro dia de vendas foi cheio de novidades para a interna Eliane Mendes, de 36 anos. Cumprindo pena há quase dois anos por envolvimento com o tráfico de drogas, no município de Altamira, oeste paraense, ela ficou emocionada em poder mostrar o trabalho que está fazendo. Antes de ser presa eu trabalhava como doméstica em Altamira, mas sempre tive vontade de aprender a fazer artesanato. Nunca imaginei que fosse encontrar oportunidade dentro do presídio. Hoje sei fazer ursos de pelúcia e estou ajudando com o trabalho na cooperativa. Aqui na praça eu não me sinto uma presa e sim uma mulher trabalhadora que está mudando de vida, disse.
A expectativa é tão boa que Eliane já tem planos para o futuro. Quando sair do CRF eu quero voltar para Altamira e abrir um pequeno negócio. Lá não existe esse tipo de trabalho que aprendi aqui e vou ensinar minha família para juntos crescermos e conseguirmos uma boa renda. Já tenho várias encomendas para quando ganhar a liberdade, conta feliz.
Eliane é uma das cerca de 50 internas do Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, que participaram de um curso de capacitação técnica oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Pará (Sescoop-PA) e atualmente formam a Coopafe.
O artesanato foi admirado por quem visitou a feira. As internas levaram tapetes de crochê, travessas, vassouras ecológicas, latinhas e sandálias decoradas; além de ursinhos de pelúcia, que fizeram muito sucesso com a criançada. A autônoma Sandra Andrade ficou sabendo da Cooperativa pelo jornal e veio exclusivamente para conhecer as internas e os artesanatos. Fiquei muito feliz com o trabalho que vi aqui, só assim é possível mudar a vida das pessoas e trazê-las para a sociedade de volta. No domingo que vem vou trazer uns modelos de toalhas e tapetes que vi em uma revista e ficam lindos. Elas vão vender bastante, contou Sandra.
Dados da Organização das Cooperativas do Brasil mostram que existem hoje mais de seis mil cooperativas em todo o país, com cerca de nove milhões de associados, abrangendo 13 ramos do cooperativismo, entre eles o da cooperativa especial, na qual a Coopafe se encaixa. A cooperativa foi criada a partir da Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional do país, que garante o acesso ao trabalho para internas com o desenvolvimento de ações que incluam a formação, entre outras, de redes cooperativas e economia solidária.
A interna Vilma Duarte, de 36 anos, ficou encantada com a praça. Natural de Paragominas, sudeste do estado, a detenta não conhecia Belém e falou que não imaginava que existissem tantas barracas e artesãos comercializando produtos em um só lugar. Fiquei impressionada com o movimento aqui na praça, muita gente o tempo todo. Estou orgulhosa de mostrar o meu trabalho para tantas pessoas.
Ela conta que antes de ser presa por tráfico de drogas, não fazia nada da vida e descobriu o dom com o crochê dentro do CRF. Hoje eu faço meus tapetes com muita facilidade, mas me esforcei para aprender dentro do presídio. Agora posso dizer que sei o que quero fazer no futuro: vou continuar na Coopafe, trazer meus três filhos para perto de mim e ser feliz, diz a interna.
Além da Praça da República, as mulheres que formam a Coopafe vão ter um espaço garantido todos os domingos na Praça da Bíblia, em Ananindeua, a partir das 17 horas. A diretora do CRF está acompanhando e ajudando as internas da cooperativa. Todo o conhecimento e aprendizado reflete no comportamento delas. Agora elas possuem perspectiva de um futuro melhor.
O superintendente da Susipe, André Cunha, também esteve na Praça para ver de perto o trabalho. Gostei muito do que vi, pois essa é uma oportunidade única que elas estão agarrando. Gostaria de agradecer às prefeituras de Belém e Ananindeua, que são parceiras do projeto e forneceram os espaços para que elas possam trabalhar.
Fonte: ASCOM SUSIPE