Papai Noel do RS é artesão durante o ano e sonha com livro de crônicas

Erny Hennig, de 83 anos, desde os 70 dedica parte do seu tempo ao Natal.
Diariamente ele recebe de 350 a 400 crianças em um shopping da capital.
Do G1 RS
Há 13 anos, Erny Hennig se dedica a fazer a alegria das crianças em um shopping de Porto Alegre. Com barba e cabelo branco de verdade, barriga saliente, o bom velhinho esquece a rotina como artesão que vive durante o ano para levar magia e sonho aos pequenos. Com carinho, recebe de 350 a 400 crianças por dia e ouve os mais inusitados pedidos.
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E é justamente o tom das conversas e as histórias ouvidas ao longo dos anos que fazem parte de um sonho do Papai Noel: escrever crônicas sobre o que as crianças falam e pedem.
Um menino me pediu uma mortadela uma vez. Outro, uma vaca com asas, conta ao G1 Erny. E tem os mais comuns também, como bicicletas, bonecas e, hoje em dia, tablets, explica.
E não são apenas as crianças que se rendem ao encanto dele. Adolescentes e até mesmo adultos também fazem pedidos. Uma senhora se ajoelhou na minha frente e pediu que eu trouxesse o marido dela de volta. Outros pedem namorados, recorda. Tento fazer com que as pessoas tenham fé, porque eu não vou conseguir dar nada a elas, mas com fé se pode conseguir tudo.
Erny Hennig tem o costume de fazer desenho das poses que os fotógrafos fazem
Enquanto o sonho das crônicas não é concretizado, ele se concentra em desenhos. Sentado durante horas na cadeira de Papai Noel, Erny observa cenas diversas e depois as coloca no papel. Com traços bem feitos, deixa registrada a vivência dos últimos anos. E é justamente esse dom de desenhar que ele utiliza no resto do ano. O artesão, natural de Porto Alegre, faz esculturas que decoram a verdadeira casa do Papai Noel.
Erny recebe de 350 a 400 crianças por dia em
shopping da capital (Foto: Regina Albrecht/G1)
Enquanto minha esposa fica assistindo à novela, eu fico na sala esculpindo. E ainda dou meus palpites. Ela fica furiosa, brinca.
Ao longo dos anos, além de ouvir pedidos, Erny encarnou o papel de Papai Noel para levar alegria a um menino que passou por seu caminho.
Teve um ano que um menino me disse que os pais não o amavam mais e aquilo me doeu muito. Na noite de Natal, eu e minha esposa fomos até a casa dele e levamos presentes. Os avós da criança choraram e me agradeceram emocionados. Aquilo foi algo marcante para mim e que, com certeza, não irei esquecer, lembra Erny.
Mesmo em meio ao movimento de fim de ano para as compras de Natal, o Papai Noel procura dar atenção a todas as crianças e acredita que é essencial ouvir os pedidos, tirar foto e até mesmo abrir e ler as cartinhas que recebe com tanto carinho. Meu recorde foram 600 crianças em apenas uma tarde de trabalho. Quando tem muita gente para fazer foto eu não consigo nem conversar direito. Eu tenho uma maneira de olhar e conversar com os pequenos, mas às vezes fica complicado, explica.