Ovelha colorida geneticamente tem lã usada para artesanato na Expointer

Ovelha colorida geneticamente tem lã usada para artesanato na Expointer
Criadores já contam com associação e obtiveram registro oficial pelo Mapa.
Ovinos podem ser de várias raças; cores são obtidas por seleção genética.
Felipe Truda
Do G1 RS
Ovelha da raça corriedale exposta por Claudio Soares da Fontoura
O poncho bordado em branco e bege é exibido com orgulho pelo expositor Adriano da Silva Souza, de 21 anos, na Expointer, feira de agropecuária realizada em Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre. Não tem tinta, garante. A lã usada é de ovinos naturalmente coloridos. Os criadores desses animais já contam com uma associação organizada, e obtiveram neste ano o registro oficial pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos.
Adriano exibe poncho confeccionado com lã de ovelha colorida
Os animais participam da Expointer desde 2008, mas oficialmente, como animais já registrados, este é o primeiro ano, disse ao G1o diretor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos, Eduardo Amato.
Ovelhas de várias raças podem ser naturalmente coloridas. As cores variam entre preto, cinza e caramelo, com diversos tons. Tudo é obtidos por meio da seleção genética. O filhote geralmente nasce com a pelagem preta e, conforme vai crescendo, vai clareando, como explica o criador Maximiliano de Carvalho Fontoura, de 41 anos.
Todas as cores não brancas são admitidas, desde o caramelo, o marrom, ao preto. Os animais também podem vir a ser manchados, eventualmente temos animais de duas cores. Mas o padrão racial aceita todas as variantes, explica Fontoura, enquanto percorre as baias para exibir animais coloridos de diversas raças.
Em alguns casos, a utilidade do material é determinada pela raça. A pessoa que está mais preocupada com a produção de lã para vestuário tem de ir mais para raças de corriedale, merino, romney e karacul. Aquela pessoa mais voltada à produção de carne e pelego pode optar pelas raças mais carniceiras, que são o texel, o ile de france e o hampshire down, porque todas as raças de ovinos brancos possuem sua variante colorida, afirma o criador.
Cor do pelo clareia conforme crescimento do ovino
A ideia de criar uma entidade para reunir criadores de ovelhas naturalmente coloridas de raças diversas surgiu depois que Amato participou de um encontro internacional da área na Nova Zelândia, em 2004.
É um congresso extremamente técnico com gente de todo o mundo, em que observamos todo o trabalho que era feito. Quando chegamos ao Brasil, constatamos que havia criadores que criavam esse tipo de animal por conta própria, afirma.
Apesar de não haver julgamento específico para ovinos coloridos, já que não se trata de uma raça específica, há a escolha de um supremo grande campeão. São selecionados aqueles mais característicos. Entre todos os campeões, o supremo. Não se compara um ao outro. Avaliamos animal por animal, qual tem todas a características, todas as vantagens dentro de cada raça, explica.
A lã costuma ser usada por pequenos artesãos. Como muitos adquirem a matéria-prima informalmente dos produtores, não há como estimar um volume de negócio da lã. O certo é que o produtor que lava e carda - torna os fios paralelos usando duas escovas - pode ter um lucro expressivo. Pequenos produtores podem fazer o processo manualmente, e quem tiver maior quantidade de matéria-prima pode terceirizar o serviço. Amato garante que, nos dois casos, vale a pena.
A lã naturalmente colorida independente de raça, nas barracas e indústrias, não vale quase nada, R$ 1, R$ 1,50, mas se você lava e carda, vale em média R$ 100. Vai perder 50% do peso, mas em compensação em cada kg de lã, se ganha no mínimo R$ 50, explica.
A família de Adriano compra a lã já lavada e cardada. Na Expointer, ele vende o artesanato produzido pela família em Caçapava do Sul no pavilhão da agricultura familiar, longe de onde Amato discorria sobre o ovino colorido naturalmente. O resultado de todo o trabalho, dos criadores aos artesãos, está em peças de roupa e tapeçaria com custo médio de R$ 100. Desde que eu nasci, vejo meu pai fazer isso, conta o jovem expositor, talvez sem imaginar como funciona a criação do animal de onde sai a matéria prima para o trabalho da família.