Oficinas de Artesanato: ferramenta que potencializa o Grupo De Mulheres de uma Unidade de Saúde da Família

Oficinas de Artesanato: ferramenta que potencializa o Grupo De Mulheres de uma Unidade de Saúde da Família
Este relato fala da nossa experiência com o grupo de mulheres, em uma Unidade de Saúde da Família, em que as Oficinas de Artesanato representam o eixo principal para a participação das mesmas, servindo de motivação e incentivo para melhorar a sua renda com os artigos produzidos e ao mesmo tempo, a equipe colabora com um espaço acolhedor, fazendo educação em saúde com rodas de conversa, de forma dialógica e participativa contribuindo para a autoestima e uma interação entre equipe e comunidade.
Qual foi a experiência desenvolvida? Sobre o que foi?:
Este relato fala da nossa experiência com o grupo de mulheres, em uma Unidade de Saúde da Família Integrada, em que as Oficinas de Artesanato realizadas nos encontros quinzenais, representam o eixo principal para a participação das mesmas, servindo como motivação e incentivo para melhorar a renda familiar com a venda de artigos artesanais produzidos por elas e ao mesmo tempo, a equipe colabora com um espaço acolhedor e terapêutico, fazendo educação em saúde com rodas de conversa, de forma dialógica, participativa e coletiva contribuindo efetivamente na autoestima eproporcionando uma interação entre equipe e comunidade. Visando atender as necessidades de mulheres donas de casa de diferentes faixas etárias, identificadas nos territórios pelas equipes de saúde. As oficinas de artesanato foi uma experiência vivenciada no grupo e a princípio foi usada como estratégia para manter o grupo, atraindo assim mulheres do território, de diferentes faixas etárias, visando usar as diversas habilidades que algumas das integrantes possuíam no sentido de estimular a criatividade das mesmas a partir do seu próprio conhecimento, de aumentar o vínculo com as equipes e de promover saúde. Acreditamos que essas oficinas é uma forma de terapia que favorece o resgate da autoestima, proporcionando momentos de aprendizagem, de escuta, de lazer e de troca de experiências, além de ser uma ótima oportunidade para as atividades de educação permanente em saúde, cujos temas eram escolhidos por elas nas reuniões, além de ser uma excelente ferramenta para se chegar junto às mulheres e trabalhar a saúde como um todo.
Como funciona(ou) a experiência?:
O grupo de mulheres foi formado em 2009, na Unidade de Saúde da Família Integrada Nova União, composta por quatro equipes de saúde (Prosind I, União, Panorâmica e Mangabeira IV) localizada no bairro de Mangabeira II, João Pessoa - PB, onde alguns membros das equipes sentiram a necessidade de formar o grupo, pois tanto nas idas às consultas nas unidades de saúde, como no território, durante as visitas domiciliares, percebia-se a importância de implementar esse grupo operativo, com objetivo de proporcionar um cuidado coletivo a essas usuárias. Então, a partir daí, formou-se uma comissão de profissionais interessados e comprometidos, onde se reuniram para discutirem como seria a criação e andamento do mesmo, visando atender as necessidades de muitas donas de casa de diferentes faixas etárias identificadas nos territórios pelas equipes de saúde. Essas mulheres apresentavam problemas emocionais, sociais, familiares, por se sentirem sozinhas em seus domicílios, uma vez que seus filhos já se encontravam crescidos, estudando, trabalhando, como também seus companheiros ainda permaneciam no mercado de trabalho. A comissão foi composta por diversas categorias de profissionais (Enfermeira, Dentista, ACS, Apoiadora e Estudantes da Rede Escola). Para a primeira reunião foi criado um convite personalizado e entregue pelos Agentes Comunitários de Saúde às mulheres da área de abrangência, e como estratégia para atrair as participantes decidimos elaborar um quadro identificado como Presença das Estrelas, no qual cada participante que viesse para uma reunião ganharia uma estrela ou também se trouxesse uma nova integrante para o grupo, ou seja, quanto mais participação cada uma delas tivesse no grupo, ganharia mais estrelas, recompensando com um brinde no final do ano aquela que se apresentasse com mais estrelas, incentivando assim sua permanência no grupo. E para estimular a troca de experiência entre elas e a equipe, realizamos uma enquete das habilidades artesanais que essas mulheres possuíam, dentre elas, identificamos a confecção de bijuterias, o crochê, a pintura em tecido, o fuxico, o biscuit e bordados. A primeira oficina a ser trabalhada no grupo foi a confecção de bijuterias, visando estimular a criatividade delas, para isso recebemos algumas doações de materiais por alguns profissionais sendo estes também os facilitadores da oficina. Em seguida foi escolhido pelas participantes o fuxico, então realizamos por alguns meses a oficina com a doação dos retalhos de tecidos pela comunidade e pelas mulheres do grupo. Na oportunidade desses encontros, aproveitamos para trabalhar vários temas de educação em saúde, temas esses sugeridos por elas, como prevenção de câncer de colo uterino e de mama, depressão, diabetes, hipertensão arterial, tuberculose, dislipidemias, varizes, violência contra a mulher, entre outros. Após essa oficina, demos início a oficina de pintura em tecido, onde as mulheres demonstravam interesse para aprender e rever as companheiras, e a equipe de saúde. Após várias oficinas, e com o resultado dos produtos artesanais, realizamos uma exposição no próprio serviço de saúde, para que outros trabalhadores e a população pudessem apreciar e adquirir por um valor simbólico cada peça artesanal. O grupo existe há quatro anos e foi denominado de Grupo Mulheres em Ação desde a sua formação, nome escolhido pelas mesmas e atualmente possui cerca de vinte e cinco mulheres que se reúnem quinzenalmente, nas quartas, no período da tarde em espaços dentro da própria USF como também na casa de algumas mulheres que se dispõem em abrir esse espaço para o grupo.
Desafios para o desenvolvimento:
De início, um dos grandes desafios era conseguir a adesão das mulheres para permanecerem no grupo; Também encontramos dificuldades em conseguir mais parcerias de profissionais comprometidos para fazer parte da comissão; Outro desafio, para manter o grupo, é o custeio das despesas com as oficinas, na aquisição de materiais, confraternizações, passeios, lanches, entre outros. Então, criamos um brechó de roupas usadas, calçados, acessórios e outros artigos doados em bom estado de uso, pela equipe e comunidade, a fim de angariar fundos revertidos para o próprio grupo; A falta de infraestrutura como um espaço adequado para as reuniões, e equipamentos como TV, ventiladores, Data Show e outros insumos também é uma dificuldade encontrada; Para superar o desafio em relação as despesas com lanches articulamos com o Grupo de Idosos que recebe doações através da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura, com os profissionais que fazem parte da equipe e com as próprias mulheres que se dispõem para levar lanches feitos por elas. Apesar de todas as dificuldades vivenciadas, buscamos em equipe a superação, propondo estratégias e soluções diante das situações apresentadas para melhorar o desenvolvimento das atividades, fortalecendo cada vez mais o grupo.
Quais as novidades?:
Durante a construção do grupo nos reunirmos algumas vezes para formação do mesmo. Foi um momento para troca de experiências da equipe entre si e com os estudantes da Rede Escola, sendo um espaço de aprendizagem significativa que marcou o processo de trabalho da equipe, nos ajudando a ter um olhar mais critico e reflexivo diante das dificuldades que forem surgindo, tornando assim o planejamento uma ferramenta ideal para elaboração de um grupo. Uma das estratégias inovadoras foi o quadro da presença das estrelas, que foi algo que deu certo e utilizamos até hoje. E também a própria descoberta de tantas mulheres em nosso território que apresentam habilidades artesanais, sendo elas as facilitadoras das oficinas de artesanato, onde se sentem bastante valorizadas. Isso também foi uma novidade para a equipe, pois até então, não tínhamos essa prática em realizar atividades com essa parceria, e ainda torna-se desafiador para alguns membros da equipe. Mas acreditamos que trabalhando com esse grupo de mulheres, muito favoreceu para melhorar nosso processo de trabalho, no que se refere principalmente a um olhar diferenciado, mais atencioso àquelas que se apresentam com um perfil de participar do mesmo, potencializando ainda mais o cuidado, tornando-as mais autônomas e corresponsáveis pela sua saúde. A venda de materiais no brechó contribui significativamente para a manutenção do grupo já que temos pouco incentivo ou apoio de alguns órgãos voltados para a saúde da mulher. Procuramos dentro de nossas possibilidades fazer um momento prazeroso e motivador para elas, por isso além das oficinas de artesanatos também fazemos passeios, caminhadas e confraternizações com ajuda de alguns parceiros, como as estudantes de enfermagem que sempre estão fazendo parte da equipe também dando uma contribuição significativa em relação a isso, e também outros membros da própria equipe que apesar de não fazerem parte do grupo sempre colaboram.
Outras observações/campo livre:
Há vários depoimentos delas, que afirmam que antes da existência do grupo, eram muito solitárias, apresentavam vários problemas emocionais e sociais, pois em sua maioria os filhos já estão crescidos e os maridos trabalham o dia todo, restando apenas a elas à companhia da TV e animais de estimação. Atualmente as mesmas demonstram o prazer de participar do grupo e sentem-se em família, porque além da ocupação que as oficinas oferecem, também há o resgate da autoestima, da construção de cidadania e do protagonismo de suas próprias vidas. Observamos que algumas mulheres apresentam uma mudança significativa em suas vidas após se inserirem no grupo, cujos seus depoimentos afirmam que essas reuniões se tornam uma válvula de escape, um momento para aliviar suas angústias diárias e ganham forças para começar a enfrentar seus medos; uma delas relata que vivia em crise de choro, estresse, sentindo-se solitária, com problemas emocionais, recebendo até incentivo de seu companheiro para participar do grupo por perceber uma grande melhora na sua vida. Outras donas de casa não tinham estímulo para sair de casa e encontraram no grupo um espaço acolhedor. O resultado tem superado as expectativas do grupo, onde todos se mostram bastante participativos, sejam os profissionais de saúde e usuárias, viabilizando assim o crescimento a cada dia, conquistando e atraindo mais integrantes, tanto pelo convite como pela visualização do grupo no serviço de saúde. Portanto, recomendamos essa experiência para outras equipes de saúde da família (ESF) como sendo uma boa ferramenta para se trabalhar a educação em saúde na atenção básica, contribuindo desta maneira para a qualidade de vida desta mulher e de sua família.
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