Oficina com detento que fez máscara de sabonete na PB já tem 20 inscritos

Oficina com detento que fez máscara de sabonete na PB já tem 20 inscritos
Diretoria da penitenciária vai formar duas turmas.
Atualmente a Paraíba tem 180 presos em atividades de ressocialização.
Valéria Sinésio
Do G1 PB
Máscara feita com restos de sabonete foi encontrada dentro da Penitenciária Padrão de Santa Rita. (Foto: Walber Virgolino/Seap)
Máscara feita com restos de sabonete foi achada
dentro da Penitenciária Padrão de Santa Rita.
(Foto: Walber Virgolino/Seap)
O detento Micherlan Breno Cruz Dantas, de 31 anos, que fez uma máscara de sabonete com as feições semelhantes às de um agente penitenciário, vai ministrar uma oficina de artesanato dentro do Presídio Padrão de Santa Rita a partir de quinta-feira (17).
De acordo com o diretor da unidade prisional, Edmilson Alves de Sousa, 20 detentos já manifestaram o desejo de participar da primeira turma, mas só há vagas para dez. Vamos fazer uma seleção interna, não tem espaço para acomodar todos os interessados, declarou.
A máscara feita de sabonete continua sendo o assunto mais comentado dentro da penitenciária, que abriga 327 presos, entre provisórios e condenados, segundo informou o diretor. O Presídio Padrão de Santa Rita está localizado no município de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa. O apenado disse que teve a ideia de fazer artes com sabonete para presentear o filho de oito anos. O primeiro trabalho dele foi um leão. A máscara, segundo ele, foi uma forma de chamar a atenção do sistema carcerário para pedir material de trabalho.
De acordo com Ziza Maia, gerente de ressocialização da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o apenado vai ser incluído na folha de pagamento para receber o auxílio destinado a quem desenvolve algum tipo de trabalho na prisão. O secretário Wallber Virgolino garantiu entregar todo o material necessário para a oficina de artesanato utilizando sabonete. Vamos incentivar esse trabalho, que é uma forma de ressocialização dentro das unidades prisionais, frisou.
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Atualmente, na Paraíba, há 180 presos realizando algum tipo de trabalho dentro de presídios e cadeias públicas, conforme explicou Ziza. O número deve ser bem maior. Esses 180 são os que temos catalogados, mas há muitos outros que desenvolvem algum tipo de trabalho e que ainda não foram identificados, declarou. O sistema carcerário da Paraíba também conta com 35 salas de aulas, segundo Ziza.
Ainda de acordo com a gerente, o Estado tem um programa denominado Cidadania e Liberdade, que norteia todas as ações de ressocialização. Esse programa é dividido em cinco eixos: saúde, educação, família, trabalho e cultura. Temos muitas ações sendo desenvolvidos simultaneamente. A secretaria tenta subsidiar o material para garantir o trabalho dos presos, frisou.
A falta de estrutura das unidades, contudo, se torna um grande obstáculo para o desenvolvimento e a multiplicação das ações nos presídios, segundo Ziza. Em alguns locais conseguimos um local específico, mas há também improviso. De uma forma ou de outra, o que importa é o trabalho desenvolvido pelos apenados, comentou a gerente.
Detenta de Patos faz renda renascença dentro do programa de ressocialização. (Foto: Secom/PB)
Detenta de Patos faz renda renascença dentro do
programa de ressocialização. (Foto: Secom/PB)
O material fabricado pelos detentos geralmente é vendido e a renda é revertida para compra de outros materiais e outra parte para a família. Quando não há família, o dinheiro é usado para comprar o que é de necessidade do preso dentro da unidade. Isso já acontece em vários presídios da Paraíba, destacou.
Outro exemplo de ressocialização realizado na Paraíba, segundo Ziza, é o que acontece no Presídio Feminino de Patos, no Sertão, onde uma reeducanda ensina a técnica da renda renascença para as demais. É um trabalho magnífico, que realmente tem o objetivo de ressocializar e de despertar talentos dentro dos presídios, afirmou a gerente. A Paraíba possui 8,9 mil apenados, conforme dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).