Não vamos sair daqui, dizem artesãs da Praça da Bíblia, em Tangará da Serra

Não vamos sair daqui até que o prefeito arrume um lugar descente para vendermos nossos artesanatos. Essas são as palavras da presidente da Associação de Artesãos de Tangará da Serra (Artetan), Iolanda Carpenedo, faltando 22 dias para o cumprimento de uma notificação da Prefeitura de que ela e outras artesãs terão que deixar a Praça da Bíblia até o final deste mês.

A determinação do prefeito Fábio Junqueira (PMDB) foi expedida no dia 12 de agosto e o prazo era de 30 dias, mas após uma reunião foi estendida até o dia 30 de novembro. Segundo Iolanda, já houve uma série de tentativas de negociar o impasse, mas o prefeito se mostra inflexível. Ele propôs que a gente mude para uma casa na rua 24 com a 5-A, mas lá fica completamente na contramão, disse ela, explicando que o local, onde funcionou por algum tempo uma casa de apoio a indígenas Paresi-haliti que vinham para a cidade, não é propício para a comercialização de artesanato por estar afastado do centro, no Jardim Eldorado.

Neste domingo, às 14h, todas as associações se reunirão para discutir a proposta do prefeito. A grande maioria é contrária a mudança para o local afastado do comércio e Iolanda é bem enfática: falo em nome da Artetan apenas e nós decidimos que não vamos sair daqui para ir para lá, as outras associações também não querem, mas mesmo que elas aceitem a Artetan não aceitará, ficaremos aqui, se a Prefeitura quiser mandar um trator aqui derrubar que mande. Só sairemos assim, disse.

Na ocasião da notificação em agosto, Fábio explicou que determinou a retirada das casas do local por 3 motivos. Primeiro por entender que elas não atendem a todos os artesãos, segundo porque atrapalham a locomoção e a utilização devida da praça pela população e por último devido a pouca utilização, pois, segundo ele, permanecem quase sempre fechadas.

Atualmente as seis casas de madeira, construídas na Praça em 2009, inicialmente em material compensado, que foi substituído em 2011 por madeira reflorestada, são ocupadas por 7 associações de artesãos e grupos de produção.

As primeiras a se instalarem ali foram a Mandala Viva e a Artetan. Na época o secretário de Turismo era o ex-vereador João Batista Neri da Silva, o João Negão, que viu na mudança uma solução para a demanda. As artesãs afirmam que hoje mais de 70 mulheres vendem seus produtos no local.
Diário da Serra
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