Lixo ganha vida nas mãos de alunos de escola rural em Cacoal, RO

Lixo ganha vida nas mãos de alunos de escola rural em Cacoal, RO
Alunos transformam materiais recicláveis em objetos reutilizáveis.
Oficina de artesanato é realizada no período inverso das aulas.
Magda Oliveira
Do G1 RO
Com muita criatividade alunos da escola municipal Santos Dumont, distante 17 quilômetros de Cacoal (RO), transformam materiais recicláveis em objetos reutilizáveis. A oficina de brinquedos e artesanato começou a funcionar na escola em agosto de 2012 com a participação de 100 alunos. Para participar da oficina, que é realizada através do programa federal Mais Educação, os alunos fazem horários inversos aos das aulas normais.
Aluno do 9º ano do ensino fundamental, Levi Tosato Pinheiro, de 15 anos, conta que há um mês começou a frequentar as aulas de artesanato. No inicio não gostei muito, por achar que era coisa de mulher, mas já aprendi a fazer carrinhos de garrafa pet e porta-treco de caixinha de leite. Estou gostando muito, pois tudo que aprendo na escola faço em casa, disse o aluno.
Com 13 anos de idade, a aluna do 8º ano do ensino fundamental Fernanda da Silva Bordignon, é uma das mais dedicadas da turma. Para ela a participação nas aulas é interessante, pois aprende coisas novas. Antes, na minha casa, produtos como caixas de leite, litros de amaciante e garrafas pets eram jogados fora como lixo, após começar a participar da oficina, minha família passou a ver esses produtos como utilizáveis. Quando não os trago para a escola, confecciono os produtos que aprendo na minha casa mesmo, afirmou Fernanda.
Segundo a monitora do programa Mais Educação da escola, Thalia Aparecida Lemes, na oficina de artesanato é trabalhado a diversidade de materiais, buscando a reutilização de produtos que podem ser reciclados, como garrafas pets e embalagens de amaciantes, que nas mãos dos alunos vão se transformando em carrinhos, retalhos que viram roupas de bonecas e capa para pequenos sofás, caixas e latas de leite que passam a ser utilizadas como porta-treco, banner de lona que se transformam em bolsas e caixas de verduras que viram armários.
Além do artesanato, a escola também trabalha a parte cultural com os alunos. Há dois meses a escola promoveu um desfile para ensinar a cultura pomerana, aos alunos. Utilizamos produtos recicláveis para decorar o ambiente e confeccionar as roupas para o desfile. Já estamos pensando no próximo evento que será sobre a cultura negra, contou Thalia.
Para a monitora, a participação dos alunos durante as aulas de artesanato é gratificante, pois todos se empenham para que seus produtos fiquem perfeitos. Os alunos contribuem trazendo materiais de casa. Todos os produtos são confeccionados pelos próprios alunos, nós apenas damos dicas de como ficará melhor. Depois de concluído algumas peças guardamos para amostras e as demais são levadas pelos alunos para casa.
De acordo com o diretor da escola Adenil José Bastos, quando a oficina foi implantada na escola os alunos não tiveram interesse, porém assim que as peças começaram a ser produzidas, faltaram vagas. Para esse projeto foram disponibilizadas apenas 100 vagas, mas a procura por parte dos alunos é grande. Devido a isso conseguimos autorização para abrir vagas para 100% dos alunos na nova turma que começara em setembro, contou o diretor.
Alunos de baixa renda tem prioridade para frequentarem as aulas da oficina de artesanato, pois segundo o diretor a ideia é retirar os alunos com tempo ocioso das ruas, e, ao mesmo tempo, ensinar a desenvolver atividades artesanais.
G1