Comunidade da Malacacheta realiza Festa da Damorida, em Roraima

Festejo começou nessa quinta-feira (7) e segue até dia 9 de novembro.
Localidade fica a 34 quilômetros da capital boa-vistense.
Vanessa Lima Do G1 RR
Um dos pratos típicos indígenas dá nome a um dos festejos tradicionais da região da Serra da Lua: a Festa da Damorida. A abertura da oitava edição do evento aconteceu nessa quinta-feira (7), na comunidade da Malacacheta, localizada no município de Cantá, a 34 quilômetros de Boa Vista. A programação segue até sábado (9).
A apresentação da dança parichara e a defumação do maruai deram início ao festejo que visa à valorização da cultura indígena. É importante não deixar os nossos costumes e tradições se perderem. Durante a Festa da Damorida, nossas crianças têm contato com tudo isso e o público que nos visita também pode nos conhecer um pouco, destacou o tuxaua Wanderley Pereira da Silva.
Competições de flecha ao alvo, ralar mandioca, corrida de tora, traçar darruana, correr com cabaça na cabeça e tomar caxiri fazem parte da programação da festa. Os indígenas também disputam a preparação da melhor damorida do evento.
Prato típico indígena
Denise Ana Camila, de 28 anos, é indígena da etnia Macuxi e foi quem alcançou o título da melhor damorida em 2012. Aos dez anos de idade, ela aprendeu o preparo do prato com familiares e desde então este é um de seus comidas prediletas. O segredo, segundo ela, é o amor na hora do preparo.
A característica principal da comida indígena é a pimenta. A base mais comum do prato é o peixe, que pode ser substituído também por outro tipo de carne. O tucupi, feito da mandioca, é o ingrediente final da comida.
Tudo é cozido junto por cerca de meia hora, dependendo da carne utilizada. É um prato rápido de ser feito, não existe mistério. O sabor picante é o toque diferente. A comida é muito saborosa e é um dos nossos principais pratos, detalhou Camila. A damorida é degustada com beiju.
A jornalista maranhense Eanes Silva foi conferir o festejo e experimentou pela primeira vez a comida típica dos povos indígenas. São ingredientes até comuns para quem não faz parte dessa cultura, mas quando misturados o resultado é algo exótico e bem interessante de ser saboreado, disse.
Além de consagrar as danças, comidas e atividades indígenas, o evento também é uma forma de arrecadar recursos destinados para a manutenção de projetos desenvolvidos pela comunidade da Malacacheta. Atualmente, 1.250 indígenas vivem no local.
A artesã Helena Lourenço, de 53 anos, é uma das que dependem da venda dos colares, brincos, anéis e outros tipos de peças produzidas para arcar com as despesas. O material comercializado durante o festejo começa a ser produzido com cerca de seis meses de antecedência. O dinheiro que consigo vendendo meu artesanato ajuda muito a pagar minhas contas, ressaltou.
G1