Com foco no envelhecimento, cachaça artesanal é produzida por professor na Ufal

Atualmente, o alambique Engenho Nunes conta com um estoque de dezenas de barris com cachaça pronta para o consumo
A ideia inicial era apenas brincar com os conhecimentos que tinha na área, mas depois o assunto ficou sério. A decisão veio em 2008, e o idealizador é o professor de engenharia química da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) João Nunes. Ele procurou investir seus anos de experiências e estudos sobre a cana-de-açúcar e seus derivados, na fabricação de cachaça em alambique. Com isso o professor idealizou e criou o Engenho Nunes, projeto esse que vem dando frutos até hoje e sendo reconhecido como uma cachaça de qualidade em Alagoas.Nunes já vem desenvolvendo experimentalmente a cachaça há pelo menos 10 anos.
E toda essa experiência é fruto de estudos que envolvem o envelhecimento em barris de diferentes tipos de madeira, que dão um sabor e uma coloração diferenciados à branquinha. Com uma cor mais viva, a cachaça é produzida e armazenada em diversos tonéis no Laboratório de Derivados de Cana-de-açúcar da Ufal. O nosso foco é o envelhecimento, trabalhamos com pequenos alambiques. Procuramos estudar a influência da madeira.
Tenho doutorado em fermentação, trabalho aqui com seis pessoas, que no caso são cinco bolsistas e minha esposa. A empresa ainda é pequena, mas estamos com a necessidade de contratar mais uma pessoa que possa acompanhar de perto a produção.Para a reportagem, Nunes explicou também de onde surgiu a ideia. Como professor do curso de Engenharia Química eu me interessei pelo produto desde o início. Comprei um alambique pequeno, pra começar a dar aula prática.
Não produzia muito, mas depois das aulas era comum distribuir gratuitamente, e foi aí que começou a ter retorno. Diante disso o projeto se tornou muito importante, sendo utilizado até para realização de dissertações e até doutorados, ressaltou. Em 2008 também com a seriedade do negócio, João Nunes abriu a empresa Nunes e Góes Beneficiamento e Comércio de Bebidas LTDA. E passou a investir dinheiro do seu próprio bolso, cerca de R$ 150 mil ao longo dos anos, para produzir diferentes tipos de cachaça e comercializar o produto.
A produção Atualmente, o alambique Engenho Nunes conta com um estoque de dezenas de barris com cachaça pronta para o consumo. A produção mensal totaliza aproximadamente seis mil litros que dão origem às cachaças envelhecidas em carvalho, jatobá, umburana, castanheira e jequitibá. A bebida é comercializada em alguns bares e restaurantes de Maceió e na Feirinha do Artesanato, na praia de Pajuçara, onde despertou o interesse de pessoas que tiveram a oportunidade de apreciar o produto. As mais consumidas, segundo João Nunes são as cachaças feitas com madeira de carvalho e umburana.
O pesquisador explicou que o produto deve conter entre 38% e 48% de álcool, segundo normas nacionais.Garanto uma coisa, a verdadeira cachaça, não é aquela que arde e desce arranhado a garganta. É aquela que deve ser bem apreciada. E afirmou também que não dá ressaca e nem dor de cabeça.
A bebida precisa no mínimo de um ano para ser considerada envelhecida. Mas aqui deixamos passar até um período de dois a três anos e comercializo como armazenada, disse Nunes. João Nunes representa a empresa na Associação dos Produtores de Cachaça de Alambique e Derivados da Cana de Açúcar de Alagoas (Aprocal), entidade formada para conquistar ferramentas e discutir ideias que possibilitem o crescimento do setor em Alagoas.
Além da Engenho Nunes, a Aprocal é representada pelos produtores das cachaças Gogó da Ema, Cachaça JG, Gameleira, Brejo dos Bois e Cachaças das Alagoas. Prêmio O reconhecimento da cachaça artesanal Engenho Nunes é tão grande que a bebida foi premiada em 2012 com o Prêmio Empresarial Maceió que tem o objetivo de premiar empresas nos ramos do comércio, indústria, construção civil, restauração, hotelaria, educação, alimentos e bebidas, comunicação e várias outras atividades, além de personalidades ligadas a arquitetura, medicina, odontologia e advocacia. E ao mesmo tempo fazer uma justa homenagem a Maceió e as empresas genuinamente alagoanas ou que aqui atuam no mercado.
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