Cerveja artesanal movimenta cerca de R$ 3,2 mi por ano em Juiz de Fora

Cerveja artesanal movimenta cerca de R$ 3,2 mi por ano em Juiz de Fora
Dados são do Sebrae; seis cervejeiros da cidade são formalizados no Mapa.
Estimativa é de que produção anual do setor alcance 350 mil litros por ano.
Do G1 Zona da Mata
Produtor de cerveja artesanal há pouco tempo, Massafera se dedica a encontrar o paladar perfeito para ele
Juiz de Fora é considerada polo de produção de cerveja artesanal de qualidade, segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). De acordo com dados do Sebrae, o mercado de cerveja artesanal movimenta cerca de R$ 3,2 milhões por ano em Juiz de Fora, que tem um consumo estimado em torno de 0,05 milhões de litros por pessoa, o que representa menos de 1% do potencial de consumo no Brasil. O G1 conversou com apreciadores que indicaram quais as características diferenciam a cerveja artesanal e fazem o produto ganhar admiradores.
Recentemente o Sebrae divulgou um estudo com o perfil dos consumidores da bebida em Juiz de Fora, que apontou que a maioria é do sexo masculino (57%) e 41% são jovens entre 20 e 29 anos. De acordo com a organização, a cidade tem quatro microcervejarias registradas e seis cervejeiros formalizados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sendo três na mesma cervejaria. Estima-se que a produção anual do setor em Juiz de Fora alcance 350 mil litros por ano.
A cerveja é uma bebida social, que, por ser servida na garrafa e ter de ser consumida em temperatura mais baixa, pede que você divida com um grupo de amigos. Ela demanda participação. Ela socializa, definiu o servidor público e jurado da 1ª e 4ª Comida Di Buteco em Juiz de Fora, Airton de Paula Soares, de 41 anos. Segundo ele, o movimento cervejeiro cresceu em Juiz de Fora e as cervejas são mais elaboradas. Também foi um incremento na importação de produtos para fazer a cerveja artesanal, que é diferenciada, afirmou.
A imagem da cerveja artesanal é associado à palavra sabor por 20% dos consumidores que participaram do estudo, sendo que 25% consomem cerveja artesanal por esse motivo. Ambientes gourmet são os melhores lugares para consumir o produto, segundo 35% dos consumidores.
Para a apreciadora Ella Rose Barruzzi, de 29 anos, o produto combina com ambientes mais aconchegantes. Reúno mais amigos em torno de cerveja artesanais. Os ambientes em que elas são servidas são mais acolhedores. A cerveja artesanal é mais forte, mais densa. O que me atrai é o paladar. Combina melhor com comida do que as cervejas industrializadas e é bom tomar degustando, explicou.
Qualidade
A cerveja especial é aquela que tem como prioridade a qualidade no sentido de riqueza de paladar, comentou o mestre cervejeiro Cristiam Nazareno Oliveira Rocha, responsável pela produção da Profana há sete anos. Segundo ele, esta cerveja, registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é entendida como o produto produzido pelo homem para o homem. A estimativa para o próximo ano é de que a produção alcance cerca de 7 a 8 mil litros.
Para Cristiam, a cerveja artesanal é o produto em que o cervejeiro tem total autonomia no processo de fabricação. A como a conhecemos hoje foi moldada há cerca de 100 anos. A preocupação das cervejarias industriais é com o custo de produção, mutilando as características naturais de alguns tipos de cervejas, diferenciou.
Quando começou a produção em 2007, Cristiam foi em busca de qualidade. Fez cursos e participou de concursos, conquistando 14 prêmios, sendo quatro nacionais. Hoje ele ministra cursos para os interessados. Há uma grande procura. Juiz de Fora está entrando em sintonia com essa arte. Há uma tradição na região, afirmou.
A cerveja é uma bebida social, diz apreciador
Sabor e personalidade
Apreciador de cervejas artesanais desde 2008, o ator, produtor e diretor de criação Sandro Massafera, de 38 anos, agora também se intitula cervejeiro. O mercado juiz-forano veio crescendo, tanto na produção das cervejas artesanais, como na importação. Sou apaixonado por cervejas de alta fermentação, muito encorpadas e bem amargas. Assim, me senti na obrigação de começar a produzir essa própria cerveja, contou.
Segundo Massafera, a cerveja industrial já não se encaixava no paladar dele já que havia se tornado um apreciador exigente. A expectativa em apreciar uma cerveja marcante e saborosa só crescia. Assim como a produção em pequena escala, focando na qualidade do produto, com período de fermentação e maturação sem pressa, eu vou produzindo a minha cerveja artesanal até encontrar o paladar perfeito, explicou.
Massafera explicou que a produção da cerveja artesanal foca na qualidade dos produtos, com ingredientes nobres, selecionados, trazidos de países europeus, reconhecidos pela excelência no cultivo da matéria-prima cervejeira.
Perfil do consumidor
Mais da metade dos consumidores de cerveja artesanal em Juiz de Fora (57%) é do sexo masculino, 63% são solteiros e 41%, jovens entre 20 e 29 anos, segundo o Sebrae. Ainda de acordo com a pesquisa, 48,8% têm renda familiar entre R$ 2,5 mil e R$ 10,2 mil, 55,2% possuem residência própria, 36% trabalham em empresas privadas e 34% possuem ensino superior. Além disso, 47,8% são católicos e 29% praticam esportes.
Pouco mais da metade dos consumidores que participaram do estudo (51,5%) costuma pagar entre R$ 7,50 a R$ 12,50 pela cerveja, 38% consomem entre dois e seis litros por mês e 37% mais gostam de cerveja entre 21h e 0h. Para 35% dos consumidores, sábado é o dia preferido para tomar cerveja.