Cerveja artesanal, feita em casa e personalizada


Pouca disponibilidade de rótulos gourmet no mercado faz os apaixonados pela bebida produzirem sua própria loira gelada
O que você faz quando tem vontade de tomar aquela cervejinha gelada? É provável que, assim como a maioria das pessoas, você compre o produto e consuma. Entretanto, há aqueles que produzem a bebida em casa, acrescentando ingredientes e dando um toque personalizado à famosa loira gelada. Além de ser uma forma de passatempo, a produção da cerveja artesanal está associada à pouca disponibilidade de rótulos gourmet no mercado nacional, de acordo com os produtores. Seja qual for o motivo, o fato é que, aos poucos, os cervejeiros artesanais começam a se destacar na Região Metropolitana do Recife (RMR).
A Associação dos Cervejeiros Artesanais de Pernambuco (Acerva-PE) existe há quatro anos e possui 23 associados. De acordo com o presidente da instituição, Romero Perman, a entidade surgiu após alguns cursos ministrados por ele e um amigo. Muita gente tinha curiosidade de saber como era o processo, mas não havia capacitação local, diz. De 2010 para cá, 21 turmas (com média de 15 alunos) já passaram pela capacitação. O último curso, em agosto de 2013, reuniu 35 pessoas.
Na avaliação de Perman, quem deseja produzir a cerveja na cozinha de casa pode ter que enfrentar alguns obstáculos. Segundo ele, o mercado local ainda não despertou para esse nicho, que cresce a cada ano. Não há lojas físicas onde os cervejeiros possam comprar os insumos necessários, tampouco institutos que capacitem as pessoas como produzir a cerveja, explica. Ele lembra que é preciso fazer as encomendas dos ingredientes diretamente às distribuidoras, nas regiões Sul e Sudeste.
A região Nordeste é vista como uma das que possuem grande potencial no mercado de cerveja artesanal. É o que afirma Alessandro Moraes, um dos proprietários do Lamas Brew Shop, loja especializada na comercialização de ingredientes e dos equipamentos necessários para produzir a cerveja em casa. De acordo com ele, a quantidade de clientes no Nordeste cresceu 50% no ano passado. A rede, que tem um mix de aproximadamente 700 produtos, possui duas lojas físicas no estado de São Paulo e atua também na internet.

Segundo Moraes, um dos principais entraves para a entrega dos produtos na região é o frete. Por conta disso, ele revela que há um plano de inaugurar um centro de distribuição na região. É um projeto para 2016, mas já estamos pensando nessa questão. É provável que o centro fique instalado em Pernambuco ou na Bahia, detalha.
Na avaliação do empresário, a produção da cerveja artesanal está associada a um passatempo, mas também a questões de mercado. Muitas pessoas que tiveram a oportunidade de experimentar uma cerveja mais elaborada se frustram com as poucas opções existentes no Brasil. E isso faz com que elas tenham o interesse em fazer a própria bebida, explica.

É o caso do engenheiro de software Felipe Franco, 26, que produz cerveja em casa há cerca de um ano e meio. A prática teve início depois que ele conheceu alguns rótulos durante viagens que realizou. Para produzir a cerveja, Felipe precisou investir cerca de R$ 2 mil na compra de equipamentos adequados. Além disso, também pretende abrir uma microcervejaria para comercializar a bebida. Por enquanto, ainda não há nada concreto. Continuarei focado na produção e depois montarei um plano de negócios para tocar o projeto, explica ele, que deve inaugurar a cervejaria em 2016.
A procura do recifense por cervejas mais trabalhadas é sentida pelo empresário Tales Leimig, que há pouco mais de um ano abriu a Capitão Taberna, loja especializada em bebidas especiais. Não vendemos cerveja artesanal porque a legislação não permite, explica, citando que o estabelecimento possui 220 rótulos de bebidas nacionais e importadas fabricadas com nível maior de qualidade. No primeiro ano em funcionamento, a loja cresceu cerca de 20%. Os preços das cervejas mais trabalhadas, diz Leimig, tendem a diminuir nos próximos anos. Na Capitão Taberna, a long neck custa a partir de R$ 10 e pode chegar a R$ 100. Aos poucos, isso vai mudar. Há 10 anos, uma havia uma cerveja específica que custava R$ 60, e hoje o preço dela gira em torno de R$ 48, exemplifica. Apesar do potencial, Tales ressalta que o crescimento do mercado deve estar associado ao crescimento da cultura cervejeira.
Venda proibida
Apesar do crescimento do mercado, é bom ter cuidado. De acordo com Romero Perman, quem produz cerveja em casa não pode comercializá-la. A prática é proibida no Brasil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A venda é liberada apenas para as microcervejarias que atendem a todas as exigências dos dois órgãos, explica.
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