BA: Edital contempla empreendimentos coletivos de matriz africana


A Superintendência de Economia Solidária (Sesol) da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia (Setre) lança neste mês um edital de financiamento a projetos de empreendedorismo coletivo de matriz africana. O lançamento será às 15h no dia 21 de março - data que marca a Luta Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial - na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.
Por Mariana Serafini, do Portal Vermelho
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A baiana do acarajé é um patrimônio cultural do Brasil
De acordo com a gerente de Ação da Sesol, Juci Santana, a escolha do lugar para o lançamento do edital tem um significado muito forte. A faculdade de medicina é um espaço que sempre foi ocupado pela elite baiana, onde até bem pouco tempo os negros não tinham acesso, tem um peso muito grande realizar uma atividade assim lá, explicou.
O Edital de Apoio a Empreendimentos Econômicos Solidários e Redes de Economia Solidária no âmbito dos Espaços Socioculturais de Matriz Africana busca incentivar o empreendedorismo negro, seja de projetos que já existem, ou de novos empreendedores que pretendem iniciar um negócio coletivo.
A Sesol desenvolveu um amplo processo de consulta às comunidades de matriz africana da Bahia para chegar ao texto final do edital. Durante mais de um ano foram ouvidas as reivindicações dos segmentos organizados, entre eles, blocos afro, baianas do acarajé, terreiros, quilombo, estética e moda afro e grupos de expressão cultura e musical.
A ideia, segundo Juci, era atender às necessidades do povo baiano com base na exigência das comunidades. O projeto tem um cunho horizontalizado onde todos os possíveis beneficiados pelo edital foram ouvidos primeiro.
O edital é no valor de R$ 5 milhões e contempla povos e comunidades de matriz africana que, muitas vezes na informalidade, desenvolvem uma gama de artefatos e expressam manifestações culturais muito características, como artesanato, confecção, culinária, plantas medicinais e outros. As baianas do acarajé, por exemplo, elas são um símbolo, representam muito a cultura de um povo, esclareceu Juci.
A cor do trabalho
Com intuito de dar a dimensão da importância do trabalho negro, a Sesol vai exibir o documentário A cor do trabalho. A exibição será também no dia 21, porém às 19h na Sociedade Protetora dos Desvalidos - Terreiro de Jesus. A entrada é gratuita e aberta a toda a população.
O documentário conta a história do trabalho negro coletivo no Brasil, é o primeiro registro cinematográfico a dar visibilidade a este tema. Serão produzidas 3 mil cópias de DVD com encarte ilustrado em português, espanhol e inglês, para serem distribuídas a todas as escolas do Ensino Fundamental Médio da rede pública estadual da Bahia e também para centros culturais, bibliotecas e instituições públicas de caráter cultural.
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