Artesãs querem mais capacitação

Artesãs querem mais capacitação
As parcerias com outras instituições visam ampliar a produção e as vendas das redes em Várzea Alegre
Várzea Alegre. A Associação Comunitária dos Fabricantes de Redes de Dormir e Bordados da cidade procura firmar parcerias com o Sebrae e a Secretaria de Assistência Social do município para realizar cursos de gestão e de técnica de bordados. O esforço é para ampliar a produção e as vendas do artesanato local.
As redes do município destacam-se pelas cores e estilos FOTO: HONÓRIO BARBOSA
O município dispõe de um arranjo produtivo de fabricação artesanal de redes de dormir que é destaque em várias regiões do Brasil. Recentemente, a artesã Rosinha Miguel, da unidade familiar de produção de redes do sítio Mocotó, representou o artesanato local, em evento das Nações Unidas, em Nova Iorque.
As redes produzidas em Várzea Alegre destacam-se pela variedade de cores e estilos. A matéria-prima utilizada também obedece aos padrões de qualidade observados nos mercados mais exigentes, no Brasil e no exterior. São produtos de qualidade e há demanda no setor.
Entraves
Problemas de gestão, entretanto, podem afetar o andamento dos negócios associativos. Recentemente, o prefeito de Várzea Alegre, Vanderlei Freire (PSD), participou de uma reunião com os membros da Associação Comunitária dos Fabricantes de Redes de Dormir e Bordados (Redes da Várzea) e com representantes da Federação das Associações do Município de Várzea Alegre (Famuva).
Durante o encontro, foram discutidas estratégias para que as artesãs voltem a produzir e vender mais. A Prefeitura já vem ajudando a instituição Redes da Várzea desde a sua fundação, com a concessão de prédio, pagamento de água, energia, internet e assistência técnica. A unidade funciona em espaço cedido pelo município no Terminal Rodoviário da cidade.
O gestor municipal comprometeu-se em apoiar a associação, procurando apoio no Banco do Nordeste para um projeto de financiamento para capital de giro e compra de matéria-prima. Dessa forma, esperamos manter a entidade na ativa, garantindo o trabalho dos artesãos das redes de dormir, gerando emprego e renda no município, diz.
Até 2011 houve um crescimento do setor a partir da melhoria dos produtos e de uma maior divulgação. No período, as vendas cresceram no Nordeste e em outros Estados das regiões Sul e Sudeste e havia a expectativa de exportar a produção local.
Em 2008, a associação teve o seu projeto selecionado no primeiro edital do Fundo Estadual de Combate à Pobreza/ Projetos Produtivos (Fecop). O objetivo foi estruturar a unidade produtiva a partir da aquisição de máquinas e equipamentos, capacitações dos artesãos, pesquisa de mercado, design de produtos, plano de marketing e, também, material promocional.
Em 2010, a associação ultrapassou em 60% o volume de vendas referentes a 2007 e 2008. As redes de Várzea Alegre conquistaram a preferência dos consumidores e tornaram-se referência nacional pela boa qualidade.
Há espaço para o bom artesanato que segue a tendência de mercado, observa Francisco Evanildo Souza Silva, representante da Famuva. O mercado é competitivo, mas pode ser vencido com qualidade e modelos atrativos das peças, completa.
Nos primeiros seis anos, as artesãs trabalharam em ritmo intenso para produção das redes. As parcerias com instituições públicas e privadas visavam ao aumento da produção e das vendas das redes de dormir.
Em 2009, quando a associação foi beneficiada com recursos do Fecop, o ex-prefeito de Várzeza Alegre, Zé Hélder, observou que não bastava apenas o repasse de verbas, pois sem gerenciamento e planejamento o projeto poderia não dar certo. Os grupos de produção associativa precisam conhecer suas necessidades, deficiências e dificuldades, para terem condições de planejar seu futuro, destaca.
Inicialmente, a Associação Comunitária dos Fabricantes das Redes de Dormir e Bordados era formada por 18 mulheres, exemplos de superação. O grupo atualmente precisa demonstrar união e força de vontade para enfrentar alguns obstáculos.
Vitória
Uma história de superação vem da localidade de Mocotó, na zona rural do município de Várzea Alegre. A artesã Rosinha Miguel, portador de deficiência física, superou dificuldades. Ela coordena uma associação de produtores de artesanato, e representou o Ceará na Exposição da Mulher Artesã, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Ela é um exemplo de superação, de luta, e de sucesso. O evento, segundo a artesã, foi positivo. Avalio como muito proveitoso, pois divulgamos o nosso trabalho e abrimos novos espaços de comercialização. Na bagagem, levou uma rede exclusiva em tecido e linha Camila, 100% de algodão para a exposição.
Mais informações
Associação Comunitária dos Fabricantes de Redes de Dormir e Bordados, Várzea Alegre
Centro-Sul
Telefone: (88) 9219.7990
HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER
http://diariodonordeste.globo.com