Artesãos locais lucram com lixo

Escrito por Juliana Geraldo
O lixo descartado pela população é aproveitado por artesãos manauenses que criam variados produtos, em especial de decoração, para tirar o próprio sustento ou incrementar salário mensal da família - foto: Ione Moreno
Jornais antigos, computador queimado, garrafa quebrada, revista rasgada, celular pifado. Enquanto muitos veem apenas a lixeira como destinação final destes itens, há quem encontre utilidade e uma alternativa de renda ao transformar lixo em objeto de desejo de muitos consumidores, os artesãos dão um novo significado ao que seria jogado fora.
Desde agosto do ano passado, José Denizal de Melo, 41, aderiu à empreitada de transformar resíduos eletrônicos em peças decorativas como reproduções de motos e aviões. A atividade teve o start após curso realizado para formação de técnico de informática e eletrônica.
Para exercitar o que era aprendido em sala de aula e testar seus conhecimentos, ele começou a acumular peças recolhidas da empresa de informática na qual trabalhava como motorista e esperava por uma promoção depois do reforço educacional no currículo. Em determinado momento, esses resíduos precisaram ser jogados.
Sem coragem de simplesmente ensacar todos os itens e esperar o carro do lixo, Denizal decidiu pôr em prática outra habilidade: a de artesão. Segundo ele, a maior inspiração é por conta do sangue parintinense. É um dom nato. Está no sangue ser artista, pontua.
A ideia trouxe retorno instantâneo. Atualmente ele sobrevive apenas do lucro dos artefatos vendidos, um percentual de aproximadamente 80% em cima de
cada produto.
Denizal já produziu mais de 110 peças, orçadas de R$ 20 a R$ 450. Os gastos ficam por conta do uso de cola, broca e a compra por quilo de alguns restos em empresas de reciclagem.
Os itens demoram de três a cinco dias para ficarem prontos, quando se tratam de réplicas.
Quando são feitas solicitações a critério da sua própria imaginação, esta fabricação demora dois dias no máximo. Eu imagino um carro e faço como pensei na minha mente. Tipo uma moto do futuro mais arrojada também, essas coisas,
detalha Denizal.
Além das redes sociais, artesãos como Denizal contam com o apoio do governo para escoar seus produtos em feiras e eventos organizados pela Secretaria de Trabalho e Emprego do Amazonas (Setrab-AM). De acordo com a gerente de economia solidária da secretaria, Socorro Papoula, boa parte dos 85 empreendimentos solidários listados em Manaus desenvolve arte com a reciclagem.
Segundo Denizal, as feiras e exposições são fundamentais para mostrar e vender as peças que fabrica a partir da reciclagem.
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