Artesãos de rede pleiteiam 7% de ICMS

Jaguaruana. Esta cidade é reconhecida como sendo a terra da rede de dormir. Porém os fabricantes passam por dificuldades e alguns já estão deixando a atividade. Os artesãos deste município tiveram a esperança da revitalização do setor diante da redução do ICMS sobre a matéria-prima para a produção da rede. O pedido de redução do imposto foi levado para o Governo do Estado pela prefeita Ana Teresa, o que foi garantido, através da Secretaria da Fazenda, em uma autorização para redução do ICMS que incide sobre a fabricação de redes de dormir.
Fabricação de redes de dormir em Jaguaruana é uma das principais atividades econômicas da cidade, que depende de insumos acessíveis
O próprio então secretário da Fazenda do Estado, Mauro Filho, esteve em Jaguaruana no mês de agosto, para divulgar de forma oficial da nova regra.
De acordo com ele, o imposto sobre o produto local era antes de 8,6%. Agora, caiu para 3%, por meio de decreto que passou a vigorar desde o dia 1º de agosto deste ano.
Um pequeno artesão produz, no mínimo, uma média mensal de 400 redes de dormir de 2,5kg cada. Só ai já vai cerca de uma tonelada de fio de algodão. Sobre cada quilo do fio recaia um ICMS de 7% e isso pesava muito para os pequenos produtores.
A possibilidade de menor imposto animou principalmente pequenos artesãos, que encontram, na compra da matéria-prima, a grande dificuldade para confecção das redes.
Porém o que vem acontecendo na prática, segundo o presidente da Associação dos Fabricantes de Redes de Jaguaruana (Asfarja), Inácio Lima, é que a redução que beneficiaria os pequenos fabricantes, não aconteceu, já que a fornecedora local aumentou o preço da matéria-prima. Uma reunião de negociação sobre isto já aconteceu e nada foi resolvido. Segundo Inácio Lima, o que foi dito pelo representante da Multicor é que não existia o desejo comercial da empresa para atender à demanda dos pequenos artesões.
A ideia é fornecer apenas para as empresas legalmente constituídas, o que não contempla a grande maioria dos fabricantes.
Os associados afirmam que, com o registro dos mesmos, é possível emitir nota fiscal sem a cobrança de tributos. Lamentam que toda a luta que travaram ao longo dos anos, não tenha trazido o que mais eles desejavam, ou seja, comprar em sua própria cidade a matéria-prima necessária para produção das redes.
A redução do imposto veio, mas a matéria-prima teve um acréscimo médio R$ 0,30 em cada quilo, o que inviabiliza o setor de menor porte.
A reportagem tentou contato com a direção da Multicor mão foi informada que somente o prorpietário poderia dar entrevista. Até o fechamento desta edição, não foi possível o contato pois ele estava viajando e sem telefone acessível.
A opção de alguns artesãos em comprar a matéria-prima em outras cidades é por conta do menor preço oferecido, que custa até R$ 1,00 a menos por cada aquilo. Colocando na ponta do lápis, era possível economizar R$ 1.000,00 por mês a cada mil quilos de fio comprados fora da cidade de Jaguaruana.
Com a diminuição dos impostos, aumentou a possibilidade de melhorias na fabricação das redes de dormir, investimento em máquinas, qualificação da mão-de-obra e, consequentemente, redução no valor das peças, o que ainda não foi possível.
A cidade de Jaguaruana é polo industrial na fabricação de redes de dormir. Atuam no município três indústrias na produção da matéria-prima fio de algodão. São cerca de 180 fabricantes, entre pequenos, médios e grandes. O setor é o principal gerador de emprego e renda. O emprego indireto está na maioria, com manufatureiros, acabamento e detalhes das peças.
Mais informações:
Associação dos Fabricantes de Redes de Jaguaruana (Asfarja)
Presidente Inácio Lima
Vale do Jaguaribe
Telefone: (88) 3418.1151
ALEX PIMENTEL
Colaborador
http://diariodonordeste.globo.com