Artesão acolhido pela Alac mostra seu talento e busca oportunidades


Luiz Pantaneiro busca um trabalho como instrutor para passar seu conhecimento de artesão para outras pessoas e crianças.
A Associação dos Leigos Acolhedores de Cristo - Casa de Passagem (Alac) de São Gabriel do Oeste, acolheu nesta semana o artesão Luiz Carlos Mendes, o Luiz Pantaneiro, de 63 anos, que há quatro anos está como morador de rua e já passou por diversas cidades do Estado e do Brasil neste período.
Luiz é natural de Corumbá, e chegou em São Gabriel na última quarta-feira (08), quando procurou a Alac pedindo apoio e passou por uma entrevista com a assistente social Altamira Pereira da Silva e pela coordenadora da casa Soraia Aparecida Chrun Silva. Durante a entrevista, Luiz mostrou fotos de alguns de seus trabalhos e pediu uma oportunidade.
Todos os beneficiários que solicitam a acolhida na Alac são entrevistados pela assistente social, e quando solicitam alguma oportunidade, a equipe da Alac procura oferecer da melhor forma possível, oportunidade para que os mesmos se fortaleçam e sejam reintegrados no mercado de trabalho, disse Altamira. A Coordenadora Soraia destacou também que a Alac procura captar o que os acolhidos querem de mudança em suas vidas para buscar ajudá-los.
Aprendizado
Luiz Pantaneiro faz trabalhos em argila, questionado desde quando começou, ele relatou que aprendeu com a mãe, desde criança, quando ajudava a fazer panelas no barranco de um rio.
Luiz não chegou a fazer nenhum curso sobre artesanato, mas aprimorava suas peças vendo as artes em vitrines e procurava fazer igual, aprendendo na prática. Sua inspiração é a flora e fauna pantaneira e diz que procura conscientizar as pessoas quanto a preservação da vida animal. Ceifados pelo homem, diz Luiz.
Instrutor
Luiz Pantaneiro contou sua experiência profissional, ensinando o artesanato em argila. Sua primeira aluna foi a esposa de um coronel da Base Aérea de Campo Grande, que o viu no programa O Povo na TV e o contratou para dar aulas. Dona Otília, lembro como se fosse hoje.
Trabalhou em uma escola de Coxim, além de ter sido instrutor por mais de um ano do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e ter ministrado curso para crianças no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), atualmente denominado Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) em Bom Jesus de Goiás por três meses.
Elogios e agradecimentos a Alac
Luiz fez questão de agradecer e elogiar o trabalho realizado pelos profissionais da Alac em São Gabriel do Oeste, e destacou sua experiência em cidades que passou por alguns estados do país como Tocantins, Minas Gerais e Brasília.
Pelo conhecimento de 63 anos, estou a mais de quatro no trecho, seria ótimo se todas as cidades do Brasil tivessem uma área social como São Gabriel. Ficamos muito agradecidos quando encontramos alguém que nos dá a mão assim, destacou Luiz Pantaneiro.
O artesão destacou que quando chegou na Alac, pediu uma força para sair da lama. Essa casa está me dando essa força. Isso se chama vida, amor ao próximo e solidariedade, agradece Luiz.
Ao deixar seu agradecimento ele encerrou dizendo. Andei por várias cidades do Brasil, essa casa não parece uma casa de acolhimento, parece um hotel cinco estrelas, pessoas dignas, os funcionários nos tratam com delicadeza, atenção, respeito pelo ser humano. Os migrantes, são parceiros, sem briga, estamos em casa.
Trabalhos
Luiz Pantaneiro fez algumas obras nesses dias em que está na Alac para demonstrar seu talento. Ele fez questão de agradecer ao Sérgio Wanderly Silva que trouxe a argila de Coxim para seus primeiros trabalhos.
Pessoas interessadas no trabalho de Luiz Pantaneiro podem entrar em contato com a Alac através do telefone 67.3295.4747.
Primeiro aluno
Dário José Mendes de Abreu, de 50 anos, que está sendo atendido e acompanhado a quase um ano pela Alac, viu Luiz fazendo suas esculturas e se inspirou, se tornando o primeiro aluno do artesão em São Gabriel.
Vi ele trabalhando e gostei muito, e acho que vai me ajudar no tratamento, vou fazer força de aprender com ele a fazer tudo, disse Dário, que também agradeceu a Alac pelo acolhimento. Aqui é bom demais.
Sobre o aluno, Luiz Pantaneiro disse que pretende ajudá-lo. Quero passar para ele como estão me ajudando, e também quero ajudar ele. Tenho uma força para que possa passar o conhecimento para outras pessoas.
Alac
Quando as pessoas chegam na Casa, é feita a acolhida (atendimento) procurando buscar o objetivo do usuário e encaminhá-lo da melhor forma possível, seja para tratamento de saúde, busca de familiares, passagens, refeições ou encontrar os documentos, acolhendo os mesmos para o resgate do respeito e dignidade como indivíduo. São oferecidos banho, corte de cabelo e barba, roupas limpas e refeições balanceadas.
É respeitada a individualidade de cada um, ou seja, cada caso é uma necessidade específica. (fonte: idest.com.br)
http://www.idest.com.br