Artesanato não é coisa só de mulher


No Centro de Convivência da Afasc, Aparicio Joaci Zeferino se destaca por ser o único homem na turma de artesanato
por Redação Engeplus - jornalismo@engeplus.com.br
Nas tardes de sexta-feira, uma pessoa se destaca na turma de artesanato do Centro de Convivência da Terceira Idade da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc). Isso acontece não apenas pela qualidade das peças que produz, mas por ser o único homem da oficina. Aparicio Joaci Zeferino, de 59 anos, está matriculado na oficina de artesanato e já confeccionou desde toalhas de louças, a móbiles para presentear a neta.
No início deste ano, Zeferino resgatou um talento que estava guardado desde a adolescência. Ele recorda que quando tinha 12 anos fazia tricô e tapetes de retalho na escola. O interesse pela oficina de artesanato, agora já aposentado, tem uma razão especial: acompanhar a esposa.
Zeferino conta que costumava levar e buscar a mulher Eliane no Centro de Convivência para as atividades, até que perguntaram se ele tinha interesse em participar de alguma oficina. Me ofereceram violão, informática, mas disse que aceitava se fosse para fazer artesanato, conta aos risos.
No momento, o aposentado trabalha na confecção de uma toalha com a técnica de patchwork, mas as produções não param por aqui. Já fiz um jogo americano e dei para a minha filha, fiz um cabide com corações para a neta e já estou na terceira toalha de louça, revela. Quanto ao preconceito, ele afirma que não dá importância. Outro dia um amigo meu chamou para um compromisso na sexta à tarde. Disse que não podia, pois era dia do artesanato. Ele olhou para mim e disse que era coisa de mulher, mas nem dou bola, lembra Zeferino.
Para Eliane, a presença do marido é de grande valor. Só tenho a agradecer a Deus, por ter me dado um companheiro. Ele se aposentou e recebeu propostas para trabalhar, mas escolheu ficar comigo, afirma. Eliane há 12 anos descobriu que tem a doença de lúpus e não pode ficar sozinha por conta dos desmaios. Enquanto nós tivermos vida e saúde vamos participar das atividades, garante. Seu Aparicio considera o grupo uma família. É uma grande festa participar da oficina. Poderia estar na rua, indo para bar, mas prefiro fazer artesanato. Pena que não é a tarde toda, lamenta.
A orientadora pedagógica do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo para a Pessoa Idosa, Bárbara Dagostin, informa que na oficina de artesanato estão matriculados cerca de 120 mulheres e apenas um homem.
Com informações de Jussi Moraes/Comunicação Afasc