Artesanato em ferro resgata história e movimenta economia em MG


Portão do Cemitério do Carmo demorou quase dois anos para ficar pronto.
Uma tradição de vários séculos - o artesanato em ferro - ainda movimenta a economia de São João del Rei, no Campo das Verentes. Em tempos de Copa do Mundo e aumento do turismo, a cidade se prepara para o aumento na procura e venda das peças. Atualmente, os itens de ferro ganharam ares mais modernos, mas ainda conservam o peso da história do interior mineiro.
As peças do período colonial brasileiro, feitos com ferro e talhados à mão, estão nas sacadas que decoram os casarões do centro histórico da cidade, na estrutura das pontes, lustres e até em detalhes no alto das igrejas, as chamadas esferas armilares. Elas representavam o poder de Portugal sobre as colônias. Para todos os lados que olhamos têm ferro e artesanato. Não tem como passar despercebido, opinou a nutricionista Raquel Monteiro.
Um bom exemplo dessas preciosidades artesanais do início do século XIX na cidade é o portão do Cemitério do Carmo. Ele chama atenção pelo tamanho, pelo peso da estrutura e principalmente pelos detalhes. Cada peça foi feita separadamente e colocada uma a uma. Um trabalho que demorou quase dois anos para ficar pronto. Impressiona e muito. O portão é de 1836 e a gente vê toda a forma como ele foi feito, disse o administrador Luis Carlos Gomes.
No interior das igrejas, por trás das imagens sacras, estão grandes estruturas de ferro que sustentam a arte barroca e rococó. O ferro está tão presente na história colonial do Brasil quanto o ouro. O ferro vai sustentar as imagens imensas do teto. Aquele ferro batido, feito por ferreiros, um trabalho muito artesanal, explicou o historiador, Luis Antônio Miranda.
Em uma oficina local, o volume de trabalho é cada vez maior. De olho nos grandes eventos previstos para 2014, o artesão e empresário Rômulo Mangia investiu na organização do espaço de produção, contratou e capacitou novos funcionários. Ele vende em média 400 peças por mês. Agora precisa fazer estoque. Ele sabe que o artesanato em ferro de São João del Rei é referência em todo o Brasil e que os turistas estão interessados em conhecer e levar um pouco da cultura de Minas Gerais. Com essa tendência da copa, estamos esperando um movimento maior, destacou Rômulo.
A comerciante Patrícia Montagne é dona de uma loja de artesanato e veio do Mato Grosso em busca de produtos que, segundo ela, é capaz de despertar memórias, sentimentos e transformar ambientes. O artesanato mineiro remete muito ao passado. As pessoas tem um resgate do passado. Na minha loja, as pessoas choram com as lembranças, contou.
Fonte: G1