Artesanato de miriti encanta paraenses e turistas

Artesanato de miriti encanta paraenses e turistas
Tradição do Círio, brinquedos de miriti são vendidos para fora do Brasil.
Produção familiar e cooperativos dividem mercado produtor dos brinquedos.
Do G1 PA
O brinquedo de miriti, uma palmeira típica da região de várzea, é um dos componentes marcante no período do Círio. A cidade de Abaetetuba, no sudeste do Pará, confecciona esses brinquedos e a tradição, que é passada de geração a geração, se moderniza, e além de atravessar o rio na época do Círio de Nazaré para ser vendido em Belém, também já ganhou outras cidades do mundo.
A cidade de Abaetetuba, às margens do rio Maratauíra, é uma terra de homens fortes e verdadeiros. É o que significa, ao pé da letra, a origem do nome Abaetetuba, em tupi. A cidade existe há quase 300 anos e começou como um pequeno povoado.
Em Abaete, como a cidade é carinhosamente apelidada, a tradição da fabricação dos brinquedos de miriti vem se perpetuando através das ligações. Antigamente, os adultos utilizavam da tala do braço do miriti, uma espécie de galho da palmeira, para fazer as peneiras, e a parte maciça do braço era descartada.
As crianças do local começaram a perceber que aquele material podia ser cortado e utilizado como brinquedo. Ninguém sabe quando a primeira criança descobriu que o miriti podia virar brinquedo, mas com o passar do tempo, essa brincadeira virou coisa de gente grande.
O miriti agrupa famílias produtoras em comunidades de Abaetetuba. Augusto Costa nasceu em uma dessas comunidades. O artesão tem mais de 40 anos e continua ele mesmo subindo na palmeira para cortar o braço do miriti para a a fabricação dos brinquedos.
Ele explica ainda que tudo se aproveita do miriti. Da tala (uma espécie de casca do braço) faz paneiro, tipití, peneira. Depois que tira a tala, fica a parte de dentro, que a gente chama de bucha, é o que serve para fazer os brinquedos comenta o artesão.
As produções familiares convivem com associações de artesões profissionais. O ateliê do Pirias é apontado pelo Serviço de Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) como um dos 100 melhores ateliês do Brasil.
Mestre Pirias explica que o processo é bem simples. Começa com a retirada da casca do braço do miriti, depois disso os artesão talham a bucha com uma faca e após finalizar essa etapa é passado sobre a peça um produto impermeabilizante. O brinquedo é lixado e para finalizar, a pintura dos brinquedos de miriti é feita com muito colorido, trabalho geralmente delegado às mulheres.
Os tradicionais barquinhos de miriti, as bombinhas, araras, cobras e até mesmo os formatos mais modernos já conquistaram o mundo, como conta mestre Pirias. Temos clientes da Alemanha, que são basicamente alguns lojistas. O nosso material também já foi para a França e Holanda.
O artesão mestre Xanda apredeu há muitos anos a arte do miriti com o tio, e repassou os ensinamentos para a família. Eu já ensinei para o meu irmão, e ele para os filhos dele e eu já tenho um filho que é profissional.
Mestre Xando está fazendo um tratamento de saúde, e por isso não vai á Belém este ano para vender brinquedos durante o Círio, mas emocionado conta que tem fé em Nossa Senhora de Nazaré que ano que vem vai ser diferente. É Nossa Senhora! A Nossa Senhora que vai me ajudar.
A cidade de Abaetetuba também já foi famosa pelo sotaque diferenciado, com um toque afrancesado. Muita gente já estudou a origem deste sotaque, dentre eles a professora e historiadora Neusa Rodrigues, que brinca com a forma de falar que tanto estudou, ulha, este ano nem sei se vu passar o Círio em Belém.
A historiadora conta o porque desse sotaque. É na verdade a pronuncia dos fonemas que são fechados. O povo ribeirinho falava muito assim antes como puco, por cosa, já me vu, nem sei se vu, explica.
G1