Agricultores aproveitam tradição do tear para complementar renda em MG


Pequenos produtores dividem o tempo entre o campo e a tecelagem.
Artesanato é tradição e ajuda no sustento de muitas famílias.
Do Globo Rural
Pequenos produtores de Capela Nova, em Minas Gerais, dividem o tempo entre as atividades do campo e a tecelagem. O artesanato é tradição no município de pouco mais de 4,8 mil habitantes e ajuda no sustento de muitas famílias.
A economia do município é voltada para a confecção de colchas e tapetes artesanais e grande parte dos artesãos vive na zona rural. Apenas na comunidade de Palmeiras são cerca de 200 tecelões.
Na casa de Maria de Lourdes de Paula, a família toda trabalha com o tear. Juntos, eles produzem, em média, 40 peças por mês, que são vendidas para vários estados brasileiros.
Nós vivemos praticamente disso. Toda vida trabalhamos e ganhamos nosso trocado pra poder cuidar da nossa despesa. Tudo aqui é comprado com matéria do tear, diz.
Maria conheceu o trabalho ainda quando criança e o que era curiosidade virou ofício. O conhecimento foi passado para o genro, Wagner Fonseca, seu braço direito. A dedicação é total tanto no trabalho técnico de montar o tear como no momento inspirado de criar os desenhos.
Ao se casar, Wagner não conquistou apenas uma companheira, mas também uma colega de ofício. O trabalho a dois, se tornou mais fácil e economizar energia é importante porque o dia de trabalho pode ser bem longo.
Tem dia que vai até oito horas da noite. É cansativo, mas é bom. Eu fico satisfeito, conta.
A vizinha e xará, Maria Barbosa, dedica-se ao artesanato há mais de 50 anos. O tear é um verdadeiro tesouro para ela. Maria domina o balé das tramas, em que pés sobem e descem e as mãos dão vida ao entrelaçar das linhas. Os movimentos são sincronizados para que as tramas sejam perfeitas.